Satish Kumar tem 75 anos e viajou de comboio de Londres até Lisboa para dizer que temos de ir mais devagar para chegar mais longe. A semana passada, este professor no Schumacher College, no Sul de Inglaterra, e director da revista Ressurgence esteve na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para falar do livro Small is Beautiful, de E. F. Shumacher. Na mala trouxe a inspiração da Natureza e das palavras de Mahatma Ghandi e Martin Luther King.
Acredita que a solução para a crise no mundo está no respeito pela Natureza, no amor e na confiança. Caminhou 13 mil quilómetros, sem dinheiro, numa das maiores peregrinações de sempre pela paz mundial.
- Quantas vezes já o chamaram naif ou irrealista?
- Muitas, muitas vezes. Políticos, presidentes de empresas, estudiosos, até jornalistas... (risos). Dizem-me que as minhas palavras são impossíveis e que sou demasiado inocente e idealista. Mas a minha resposta é: o que têm feito os realistas? O mundo tem sido governado por eles e hoje temos crise económica, crise ambiental, guerras no Afeganistão, Iraque e Líbia, pobreza. O nosso realismo não é sustentável. Pusemos um preço em tudo. A floresta tem preço, os rios, a terra, tudo se tornou uma mercadoria. Talvez tenha chegado a altura de os idealistas fazerem alguma coisa. Esta é a minha resposta. Se sou idealista, não faz mal. A sustentabilidade exige um bocadinho de idealismo, de inocência.
- Então qual a resposta de um idealista à crise actual?
- Esta não é uma crise económica, é uma crise do dinheiro. E o dinheiro é apenas uma ideia, um número no computador. Os realistas criaram este problema artificial e estão preocupados com a crise, voam pelo mundo, vão a Bruxelas, reúnemse com banqueiros. Mas a terra continua a produzir alimentos, as oliveiras a dar azeite, as vacas a dar leite e os seres humanos não perderam as suas capacidades. Eu diria, regressemos à Natureza. A Natureza tem a solução, dá-nos tudo o que precisamos, alimentos, roupas, casas, sapatos, amor, poesia, arte.
- Como se põe essa ideia nas mãos dos líderes políticos?
- Por exemplo, Portugal devia ter mais dos seus próprios alimentos, roupas, sapatos, mobília, tecnologia. A globalização da economia é um problema. Estamos a importar tantos produtos da China... Tudo isso se traduz em combustíveis fósseis para o transporte, com efeitos no clima. Além do mais, estamos a chegar a um pico do petróleo. Quando se esgotar o que faremos? A economia local deveria ser a verdadeira economia; a economia global seria como a fina cobertura de açúcar em cima de um bolo, com entre dez a 20% da economia.
- Mas em muitos casos é mais barato importar...
- Sim, mais barato em termos de dinheiro, mas não em termos de Ambiente porque não adicionamos todos os custos. Este é um desafio que lanço aos políticos, empresas, cientistas e jornalistas: o valor deve ser colocado no solo, nos animais, árvores e rios, nas pessoas, não no dinheiro. Se não o fizermos, dentro de cem anos teremos uma crise ainda maior. O dinheiro é apenas um bocado de papel ou de cartão, uma conta no banco. É uma medida da riqueza, como quando usamos uma fita métrica e dizemos que esta mesa tem dois metros de comprimento por um de largura. É da mesa que precisamos, mas para nós a fita métrica é mais importante. O dinheiro é útil, claro, mas é só isso.
- Parece uma ideia difícil de concretizar. Por onde começar?
- Mudando a forma de pensar. Podemos imprimir notas, criar dinheiro criando mais dívida. Mas se poluirmos os nossos rios e envenenarmos as nossas terras, não os podemos substituir. Devemos viver como peregrinos, não como turistas. O turista é egocêntrico, quer algo para ele próprio, bons hotéis, restaurantes e lojas. A sua atitude é a exigência, quer sempre mais e melhor. O hotel, o táxi ou o serviço não era bom o suficiente. O peregrino é humilde, deixa uma pegada leve na Terra, respeita a árvore e agradece-lhe pela sombra e frutos. A mente egocêntrica tem de mudar para respeitarmos a Natureza.
- Hoje conhecemos melhor as marcas dos automóveis do que os nomes das árvores...
- Exactamente. Por isso, antes de mais, precisamos trazer a Natureza para a cidade, promover uma literacia ecológica. Não conhecemos a Natureza porque a exilámos, temos medo dela. Não saímos de casa porque está demasiado frio, neve ou chuva. Precisamos de estar confortáveis, civilizados. Na verdade, somos demasiado civilizados... (risos). As pessoas das cidades, como Lisboa, precisam abrir o coração à vida selvagem, caminhar na Natureza. O fim-desemana devia ter três dias para que, pelo menos, um dia pudéssemos andar a pé no campo. Mas não de carro porque assim não se vê nada. Quando caminhamos vemos as flores, a erva, as borboletas, as abelhas. Vemos e experienciamos tudo, não é um conhecimento dos livros.
- Mas podemos estar na Natureza e não reconhecer a importância de uma borboleta ou de uma abelha.
- Não chega observar a Natureza como um objecto de estudo. Isso é uma separação muito dualista. Só valorizamos a Natureza se a experienciarmos, se nos tornarmos parte dela. A Natureza não está só lá fora, nas árvores, montanhas, rios e animais. Nós somos Natureza. E ela tem valor intrínseco. Falamos de direitos humanos, mas também precisamos de falar dos direitos da Natureza. Os rios têm o direito de se manterem limpos, as florestas têm o direito a permanecer de pé.
- Quando tinha quatro ou cinco anos, a sua mãe disse-lhe para começar a andar e aprender com a Natureza. Para nós será demasiado tarde?
- Tal como a minha mãe me ensinou a andar na Natureza, gostaria que o mesmo acontecesse na nossa sociedade. Devemos educar as nossas crianças no amor pela Natureza, aprendendo na Natureza e não sobre a Natureza, com livros e computadores. Gostaria de ver os pais a levar os filhos para a Natureza e a deixá-los subir às árvores, escalar montanhas e nadar nos rios. Para as crianças não é tarde de mais, estão prontas para isso. Talvez para os adultos seja tarde, até porque têm medo da Natureza. Mas até eles podem descobrir que passariam a estar mais inspirados, teriam mais poesia, música e arte. A nossa sociedade está a tornar-se demasiado banal e prosaica.
- Toda a sua vida caminhou. Qual foi a viagem mais importante?
- A mais importante caminhada, da Índia para a América [de 1962 a 1965], foi inspirada pelo filósofo britânico Bertrand Russell, que protestou contra as armas nucleares. Quando tinha 90 anos foi preso por isso. Uma manhã, tinha eu 25 anos, estava a beber café numa esplanada com um amigo e disse-lhe: "Aqui está um homem que, aos 90 anos, vai para a prisão pela paz no mundo. O que estamos, nós, jovens, a fazer aqui sentados a beber café?". Isso foi a inspiração. Eu e o meu amigo fomos aconselhados a partir sem dinheiro porque a paz vem da confiança e a raiz da guerra é o medo. Se queremos paz temos de ter confiança nas pessoas, na Natureza, no universo. Durante dois anos e meio caminhei 13 mil quilómetros sem qualquer dinheiro.
- E como o conseguiu?
- Fiquei em casa de pessoas que ia conhecendo. Quando não tinha dinheiro dizia que era a minha oportunidade para fazer jejum. Se não tinha um tecto, era a oportunidade para dormir sob as estrelas. Antes de partir, na Índia, disseram-me: "Vais a pé, sem dinheiro, podes não regressar". E respondi: "Se morrer enquanto caminhar pela paz isso será a melhor morte que poderei ter". Assim caminhei pelo Paquistão, Afeganistão, Irão, Azerbaijão, Arménia, Geórgia, Rússia, Bielorrússia, Polónia, Alemanha, Bélgica. Em França apanhei um barco, apoiado pelos habitantes de uma pequena localidade, e fui até Inglaterra, onde conheci Bertrand Russell. Ele ajudou com os bilhetes de barco para Nova Iorque. Daí caminhámos até Washington, onde conhecemos Martin Luther King. Foi uma demonstração de que podemos viver sem dinheiro e fazer a paz connosco, com as pessoas e com a Natureza. Neste momento, a Humanidade está em guerra com a Natureza, estamos a destruí-la. E seremos perdedores se vencermos. A menos que façamos a paz com a Natureza não poderá haver paz na Humanidade.
- O que mais o preocupa?
- A minha maior preocupação é que a Humanidade não acorde a tempo de resolver os desafios. Talvez estejamos demasiado obcecados com os nossos padrões de vida, com a dívida, o dinheiro. A sociedade industrial tem lutado pelo crescimento económico a todo o custo. Mas também tenho esperança na Humanidade, num despertar de consciências. Cada vez mais jovens me dizem que temos de cuidar da Terra e que o crescimento económico não é suficiente, precisamos de bem estar. Se as pessoas não estão bem, de que serve o crescimento económico? É um bom começo. Até porque há abundância na Natureza. Quantas azeitonas dá uma oliveira? De uma única semente, lançada à terra centenas de anos antes, obtemos milhões de azeitonas. Isso é a abundância e generosidade da Natureza.
- O alerta para a crise do Ambiente tem mais de meio século. E hoje o problema está longe do fim. É uma mensagem difícil?
- As grandes mudanças constroem-se lentamente. Quanto tempo demorou o apartheid a acabar? Nelson Mandela esteve preso 27 anos. Mas o apartheid acabou. O mesmo se passa com os direitos humanos. Quando estive com Martin Luther King, em 1964, os negros não tinham direito ao voto. Hoje temos um homem negro na Casa Branca. E quanto tempo demorou o muro de Berlim a cair? Muito tempo, uma luta longa. Não sabíamos quando o muro iria cair, quando o apartheid iria acabar. Não precisamos de saber. Estamos a construir um movimento ambiental e o momento vai chegar.
- De que precisamos para ser felizes?
- Aprender uma única palavra: celebração. Temos de celebrar a vida, a Natureza, a abundância humana. As pessoas não são felizes porque não têm tempo para celebrar. Estão sempre ocupadas, vivem demasiado depressa. Os maridos não têm tempo para as mulheres e as mulheres não têm tempo para os maridos. Os pais não têm tempo para os filhos. As pessoas não têm tempo para celebrar a Natureza. É preciso abrandar para chegar mais longe, apreciar o que temos em vez de o ignorar e querer mais. Temos muita roupa no armário, mas ignoramo-la e vamos comprar mais. O mundo tem o suficiente para as necessidades das pessoas, mas não para a sua ganância, disse Mahatma Ghandi. O universo é um grande presente para nós todos.
sábado, 24 de setembro de 2011
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Eco-socialismo - o último estágio do anticapitalismo
- Da CAROS AMIGOS -
Está em discussão em sítios de várias organizações internacionais na internet, em texto ainda não definitivo, um projeto de Manifesto Eco-Socialista, segundo do gênero. Sua avaliação, obviamente, é de que só “uma mudança profunda na própria natureza da civilização pode salvar a humanidade das conseqüências catastróficas da mudança climática”.
“Às barbaridades do último século – cem anos de guerra, de pilhagem imperialista e de genocídio – o capitalismo acrescentou novos horrores:é totalmente possível que o ar que respiramos e a água que bebemos fiquem permanentemente envenenados e que o aquecimento global torne inabitável grande parte do mundo."
Assim começa o esboço de manifesto, que continua em tom alarmista antes de expor sua proposta:“Epidemias de malária, cólera e mesmo de doenças mais mortíferas vão devastar os membros mais pobres e mais vulneráveis de todas as sociedades. O impacto vai ser mais avassalador sobre aqueles cujas vidas já foram devastadas muitas vezes seguidas pelo imperialismo – os povos da Ásia, África e América Latina e povos indígenas em toda parte. A mudança climática foi, justificadamente, chamada de ato de agressão dos ricos contra os pobres. A destruição ecológica não é uma característica acidental do capitalismo: está embutida no DNA do sistema. A necessidade insaciável de aumentar os lucros não pode ser eliminada por reformas. Domesmo modo que uma pessoa não pode sobreviver sem respirar, o capitalismo não pode existir sem o crescimento contínuo. Sua única medida de crescimento é quanto é vendido a cada dia, a cada semana, a cada ano – incluindo vastas quantidades de produtos que são diretamente nocivos para os seres humanos e para a natureza, mercadorias que não podem ser produzidas sem espalhar doenças, destruir as florestas que produzem o oxigênio que respiramos, devastar os ecossistemas e tratar nossa água e ar como esgotos para a disposição de lixo industrial.”
Mais adiante, diz o texto:“Não deve surpreender que o mesmo sistema que impõe a crise ecológica também estabeleça os termos do debate sobre a crise ecológica. Pois o capital comanda os meios de produção do conhecimento, tanto como a produção do carbono atmosférico. (…) Por isso, seus políticos, burocratas, economistas e professores apresentam uma infindável corrente de propostas, todas elas variações sobre o tema de que os danos ecológicos mundiais podem ser reparados sem perturbações no livre mercado e no sistema de acumulação que comanda a economia mundial. (…) E de fato, além de um verniz cosmético, essencialmente equivalente às plantas nos saguões das sedes das megaempresas, as reformas nos últimos 35 anos foram um fracasso monstruoso.
Melhoras individuais, é claro, chegam a ocorrer. Ainda assim são atropeladas e varridas pela expansão impiedosa do sistema e pelo caráter caótico de sua produção. Um fato que pode dar uma indicação do fracasso: nos quatro primeiros anos do século 21, as emissões globais de carbono foram quase três vezes maiores, por ano, do que as dos anos 1990, apesar do surgimento dos Protocolos de Quioto em 1997. Quioto emprega dois esquemas: o sistema‘capture e comercialize’ de comercializar créditos de poluição para alcançar certas reduções nas emissões, e o projeto do Sul Global – os chamados‘Mecanismos de Desenvolvimento Limpo’ (de sigla em inglês CDMs) – para contrabalançar emissões nas nações industriais. Todos esses instrumentos se baseiam em mecanismos de mercado, o que significa, antes de mais nada, que o carbono atmosférico se torna diretamente uma mercadoria, portanto sob o controle do mesmo interesse de classe que criou o aquecimento globaldesde o início. Os capitalistas não estão sendo obrigados a reduzir suas emissões de carbono, mas, na verdade, estão sendo pagos para fazer isso e, desse modo, são autorizados a usar seu poder sobre o dinheiro para controlar o mercado de carbono para seus próprios fins, que, não é necessário dizer, incluem a exploração devastadora de ainda mais recursos em carbono.(…)
Quando acrescentamos a isso a impossibilidade literal de verificação ou de qualquer método uniforme de avaliação dos resultados, pode-se ver que não somente o regime é incapaz de controlar racionalmente as emissões, mas também proporciona um campo aberto para a evasão e a fraude de todos os tipos, juntamente com a exploração neocolonial da população indígena, bem como de seu hábitat. Como disse o jornal econômico americano Wall Street Journal em março de 2007, o comércio de emissões ‘iria fazer dinheiro para algumas corporações muito grandes, mas não acredite nem por um minuto que essa charada vá fazer muita coisa a respeito do aquecimento global’. O Journal chamou o crédito de carbono de ‘fazer dinheiro à moda antiga, driblando o processo regulatório’. E ainda assim esse sistema sem serventia é apresentado como o caminho certo.”
Objetivo: uma nova sociedadeNa parte propositiva, diz o projeto de manifesto que somente “uma mudança profunda na própria natureza da civilização pode salvar a humanidade das conseqüências catastróficas da mudança climática”. E o movimento eco-socialista pretende “deter e reverter esse processo desastroso”:“Lutaremos para impor todo limite possível ao ecocídio capitalista, e para criar um movimento que possa substituir o capitalismo por uma sociedade em que a propriedade comum dos meios de produção substitua a propriedade capitalista e em que a preservação e a restauração dos ecossistemas sejam uma parte fundamental de toda atividade humana.” O eco-socialismo afirma que combina “uma crítica tanto da ‘ecologia pelo mercado’, que não desafia o capitalismo, como do ‘socialismo produtivista’, que ignora os limites naturais da Terra”. Seu objetivo é “uma nova sociedade, baseada na racionalidade ecológica, no controle democrático, na igualdadesocial e na predominância do valor-de-uso sobre o valor-de-troca”.
O texto propõe substituir combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, responsáveis pelo efeito-estufa, por energia limpa de origem eólica e solar; reduzir drasticamente o transporte por carros e caminhões; e introduzir o transporte público gratuito e eficiente, mudar os atuais padrões de consumo, baseados no desperdício, obsolescência planejada e competição por ostentação. Outros objetivos: eliminar a energia nuclear, a indústria de armamentos e a publicidade comercial.A íntegra pode ser vista emhttp://www.ecosocialistnetwork.org/Docs/Mfsto2/2nd-Ecosocialist-Manifesto-DRAFT-en.pdf. Entre as organizações que discutem o manifesto estão as seguintes:
• BlueGreenEarth.com• EuropeanSocialEcologyInstitute.org• SmallWorldMedia.ie• SocialEcologyInstitute.blogspot.com• MySpace.com/socialecologyinstituteEU• Anamnesis.net/Incineration.
Renato Pompeu é jornalista.
Está em discussão em sítios de várias organizações internacionais na internet, em texto ainda não definitivo, um projeto de Manifesto Eco-Socialista, segundo do gênero. Sua avaliação, obviamente, é de que só “uma mudança profunda na própria natureza da civilização pode salvar a humanidade das conseqüências catastróficas da mudança climática”.
“Às barbaridades do último século – cem anos de guerra, de pilhagem imperialista e de genocídio – o capitalismo acrescentou novos horrores:é totalmente possível que o ar que respiramos e a água que bebemos fiquem permanentemente envenenados e que o aquecimento global torne inabitável grande parte do mundo."
Assim começa o esboço de manifesto, que continua em tom alarmista antes de expor sua proposta:“Epidemias de malária, cólera e mesmo de doenças mais mortíferas vão devastar os membros mais pobres e mais vulneráveis de todas as sociedades. O impacto vai ser mais avassalador sobre aqueles cujas vidas já foram devastadas muitas vezes seguidas pelo imperialismo – os povos da Ásia, África e América Latina e povos indígenas em toda parte. A mudança climática foi, justificadamente, chamada de ato de agressão dos ricos contra os pobres. A destruição ecológica não é uma característica acidental do capitalismo: está embutida no DNA do sistema. A necessidade insaciável de aumentar os lucros não pode ser eliminada por reformas. Domesmo modo que uma pessoa não pode sobreviver sem respirar, o capitalismo não pode existir sem o crescimento contínuo. Sua única medida de crescimento é quanto é vendido a cada dia, a cada semana, a cada ano – incluindo vastas quantidades de produtos que são diretamente nocivos para os seres humanos e para a natureza, mercadorias que não podem ser produzidas sem espalhar doenças, destruir as florestas que produzem o oxigênio que respiramos, devastar os ecossistemas e tratar nossa água e ar como esgotos para a disposição de lixo industrial.”
Mais adiante, diz o texto:“Não deve surpreender que o mesmo sistema que impõe a crise ecológica também estabeleça os termos do debate sobre a crise ecológica. Pois o capital comanda os meios de produção do conhecimento, tanto como a produção do carbono atmosférico. (…) Por isso, seus políticos, burocratas, economistas e professores apresentam uma infindável corrente de propostas, todas elas variações sobre o tema de que os danos ecológicos mundiais podem ser reparados sem perturbações no livre mercado e no sistema de acumulação que comanda a economia mundial. (…) E de fato, além de um verniz cosmético, essencialmente equivalente às plantas nos saguões das sedes das megaempresas, as reformas nos últimos 35 anos foram um fracasso monstruoso.
Melhoras individuais, é claro, chegam a ocorrer. Ainda assim são atropeladas e varridas pela expansão impiedosa do sistema e pelo caráter caótico de sua produção. Um fato que pode dar uma indicação do fracasso: nos quatro primeiros anos do século 21, as emissões globais de carbono foram quase três vezes maiores, por ano, do que as dos anos 1990, apesar do surgimento dos Protocolos de Quioto em 1997. Quioto emprega dois esquemas: o sistema‘capture e comercialize’ de comercializar créditos de poluição para alcançar certas reduções nas emissões, e o projeto do Sul Global – os chamados‘Mecanismos de Desenvolvimento Limpo’ (de sigla em inglês CDMs) – para contrabalançar emissões nas nações industriais. Todos esses instrumentos se baseiam em mecanismos de mercado, o que significa, antes de mais nada, que o carbono atmosférico se torna diretamente uma mercadoria, portanto sob o controle do mesmo interesse de classe que criou o aquecimento globaldesde o início. Os capitalistas não estão sendo obrigados a reduzir suas emissões de carbono, mas, na verdade, estão sendo pagos para fazer isso e, desse modo, são autorizados a usar seu poder sobre o dinheiro para controlar o mercado de carbono para seus próprios fins, que, não é necessário dizer, incluem a exploração devastadora de ainda mais recursos em carbono.(…)
Quando acrescentamos a isso a impossibilidade literal de verificação ou de qualquer método uniforme de avaliação dos resultados, pode-se ver que não somente o regime é incapaz de controlar racionalmente as emissões, mas também proporciona um campo aberto para a evasão e a fraude de todos os tipos, juntamente com a exploração neocolonial da população indígena, bem como de seu hábitat. Como disse o jornal econômico americano Wall Street Journal em março de 2007, o comércio de emissões ‘iria fazer dinheiro para algumas corporações muito grandes, mas não acredite nem por um minuto que essa charada vá fazer muita coisa a respeito do aquecimento global’. O Journal chamou o crédito de carbono de ‘fazer dinheiro à moda antiga, driblando o processo regulatório’. E ainda assim esse sistema sem serventia é apresentado como o caminho certo.”
Objetivo: uma nova sociedadeNa parte propositiva, diz o projeto de manifesto que somente “uma mudança profunda na própria natureza da civilização pode salvar a humanidade das conseqüências catastróficas da mudança climática”. E o movimento eco-socialista pretende “deter e reverter esse processo desastroso”:“Lutaremos para impor todo limite possível ao ecocídio capitalista, e para criar um movimento que possa substituir o capitalismo por uma sociedade em que a propriedade comum dos meios de produção substitua a propriedade capitalista e em que a preservação e a restauração dos ecossistemas sejam uma parte fundamental de toda atividade humana.” O eco-socialismo afirma que combina “uma crítica tanto da ‘ecologia pelo mercado’, que não desafia o capitalismo, como do ‘socialismo produtivista’, que ignora os limites naturais da Terra”. Seu objetivo é “uma nova sociedade, baseada na racionalidade ecológica, no controle democrático, na igualdadesocial e na predominância do valor-de-uso sobre o valor-de-troca”.
O texto propõe substituir combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, responsáveis pelo efeito-estufa, por energia limpa de origem eólica e solar; reduzir drasticamente o transporte por carros e caminhões; e introduzir o transporte público gratuito e eficiente, mudar os atuais padrões de consumo, baseados no desperdício, obsolescência planejada e competição por ostentação. Outros objetivos: eliminar a energia nuclear, a indústria de armamentos e a publicidade comercial.A íntegra pode ser vista emhttp://www.ecosocialistnetwork.org/Docs/Mfsto2/2nd-Ecosocialist-Manifesto-DRAFT-en.pdf. Entre as organizações que discutem o manifesto estão as seguintes:
• BlueGreenEarth.com• EuropeanSocialEcologyInstitute.org• SmallWorldMedia.ie• SocialEcologyInstitute.blogspot.com• MySpace.com/socialecologyinstituteEU• Anamnesis.net/Incineration.
Renato Pompeu é jornalista.
domingo, 11 de maio de 2008
Frase atribuída ao médico Drauzio Varella
"No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pau duro, mas eles não se lembrarão para que servem." (Drauzio Varella)
quarta-feira, 26 de março de 2008
TRAVESSIA
Escrito por Frei Betto
24-Mar-2008
Publicado no site Correio da Cidadania
Quem ainda brinca de criança no domingo de Páscoa e esconde ovos de chocolate no jardim? Resta em nós uma perene idade da inocência. A ternura denuncia a veracidade do amor, sublinha Milan Kundera. Recôndito no qual evocamos, nostálgicos, as missas de domingo, as procissões sob andores cercados de velas, o toque salvífico da água benta, o silêncio acolhedor de igrejas que o gótico não teve vergonha de desenhar como vulvas estilizadas.
Jesus ressuscitou! - celebra esta festa de aleluias. Ainda que a razão não alcance a dimensão do fato pascal, a intuição capta a crise da modernidade a nos induzir a um mundo sem mistérios e enigmas. Mundo sombrio, onde os mortos se sobrepõem aos vivos.
Até o advento do Iluminismo, a inteligência recendia a incenso. Copérnico e Galileu decifraram a harmonia da natureza como reflexo do Criador e Newton acertou seus cálculos pelos ponteiros dos relógios das catedrais. Depois, o dilúvio inundou os claustros. A razão irrompeu soberana, relegando à superstição tudo que não fosse mensurável. Então, o mistério aflorou.
De que valem perguntas quando se julga possuir todas as respostas? Voltaire e os enciclopedistas ousaram secularizar a inteligência e, mais tarde, Baudelaire e Rimbaud tatearam ávidos em busca de um Deus capaz de aplacar-lhes a sede de Absoluto. Dostoiévski revestiu-se da figura emblemática de Jesus, despiu seus monges das vestes eclesiásticas, escancarou-lhes a alma atormentada pelos demônios da dúvida.
Nietzsche roubou o fogo dos deuses e incendiou de liberdade o espírito humano. Sartre proclamou que o inferno são os outros e erigiu o absurdo da morte em ato final que destitui a vida de qualquer sentido.
v
Entre angústias e utopias, o último século foi também marcado pelo enigma Jesus. Corações e mentes o acolheram como paradigma: Claudel, Simone Weil, François Mauriac, Chesterton, Péguy, Graham Greene, Alberto Schweitzer etc. No Brasil, Murilo Mendes, Sobral Pinto, Gustavo Corção, Tristão de Athayde, Hélio Pellegrino etc.
Hoje, pavores transcendentais já não atribulariam a alma poética de um William Blake. Entre tanta miséria, esvai-se o encanto. Jesus é Deus que se fez homem e, de homem, virou pão. Pai Nosso/pão nosso. Esta concretude assusta. A fé cristã não proclama a ressurreição da alma, mas "da carne". Jesus não é a figura do Olimpo grego enaltecida pela força irrepresável da literatura. É o judeu crucificado, por razões político-religiosas, na Palestina do século I e cujas aparições, como ressuscitado, contradizem as regras da ficção literária. Que autor criaria um personagem imortal com chagas nas mãos e ansioso por comida? As narrativas evangélicas são, tecnicamente, descrições de um fato objetivo. À luz da fé, proclamação de que Jesus é o Cristo.
Antes de cair em mãos da repressão que o assassinou, Jesus fez-se comida e bebida. Poeta e profeta, dominava a linguagem realista dos símbolos. Eis aqui o desafio atual à inquietude da inteligência. O pão repartido passa a ser corpo divino; o vinho partilhado, aliança feita com sangue e prenúncio da festa sem fim. O Deus de Jesus não é um velho Narciso à cata de adoradores nem um algoz irado com os pecadores. É Abba, o pai amoroso ("mais mãe do que pai", diria João Paulo I), cujo dom maior é a vida.
Já não temos as longas guerras que inquietaram espíritos como Tolstoi e Camus; o que vemos, de Bagdá a Guantánamo, é escabroso comparado à engenharia marcial dos exércitos em conflito: a estrada rumo ao futuro palmilhada de corpos degradados e famintos. Hoje, tropeça-se na rua em seres esquartejados em sua dignidade. Todos os discursos oficiais e todos os ajustes fiscais ofendem a condição humana por exaltarem a concentração do lucro e ignorarem a partilha da vida. Em sua hipocrisia, o sistema salva sua aura cristã e exclui o pão. A metafísica monetarista estabiliza moedas e desestabiliza famílias; reduz a inflação e aumenta a miséria; socorre bancos e multiplica o desemprego; abraça o mercado e despreza o direito à vida - e vida em abundância, para todos.
Agora, a globalização despolitiza, o esoterismo desculpabiliza e o consumismo individualiza. Livres de ideologias messiânicas, de culpas aterrorizadoras e de altruísmo coletivo, estamos à deriva neste início de século, cujas pitonisas proclamam que "a história acabou."
Páscoa é travessia - também para uma ética política, que torne o pão acessível a cada boca e o vinho alegria em cada alma. Somos nós que, em vida, precisamos ressuscitar as potencialidades do espírito, premissas e promessas de uma verdadeira dignidade humana. Num misto de Marcel Proust e Caçador da Arca Perdida, necessitamos urgentemente empreender a busca da consciência perdida, onde a solidária indignação contra as injustiças tenha cheiro de Madeleines apetitosas. Caso contrário, seremos engolidos por esses simulacros de pirâmides - os shopping centers - que sequer têm estrutura para contar à posteridade quão grande foi a pobreza de espírito de uma geração que tinha, como suprema ambição, meia dúzia de engenhocas eletrônicas.
Frei Betto é escritor, autor de "Treze contos diabólicos e um angélico" (Planeta), entre outros livros.
24-Mar-2008
Publicado no site Correio da Cidadania
Quem ainda brinca de criança no domingo de Páscoa e esconde ovos de chocolate no jardim? Resta em nós uma perene idade da inocência. A ternura denuncia a veracidade do amor, sublinha Milan Kundera. Recôndito no qual evocamos, nostálgicos, as missas de domingo, as procissões sob andores cercados de velas, o toque salvífico da água benta, o silêncio acolhedor de igrejas que o gótico não teve vergonha de desenhar como vulvas estilizadas.
Jesus ressuscitou! - celebra esta festa de aleluias. Ainda que a razão não alcance a dimensão do fato pascal, a intuição capta a crise da modernidade a nos induzir a um mundo sem mistérios e enigmas. Mundo sombrio, onde os mortos se sobrepõem aos vivos.
Até o advento do Iluminismo, a inteligência recendia a incenso. Copérnico e Galileu decifraram a harmonia da natureza como reflexo do Criador e Newton acertou seus cálculos pelos ponteiros dos relógios das catedrais. Depois, o dilúvio inundou os claustros. A razão irrompeu soberana, relegando à superstição tudo que não fosse mensurável. Então, o mistério aflorou.
De que valem perguntas quando se julga possuir todas as respostas? Voltaire e os enciclopedistas ousaram secularizar a inteligência e, mais tarde, Baudelaire e Rimbaud tatearam ávidos em busca de um Deus capaz de aplacar-lhes a sede de Absoluto. Dostoiévski revestiu-se da figura emblemática de Jesus, despiu seus monges das vestes eclesiásticas, escancarou-lhes a alma atormentada pelos demônios da dúvida.
Nietzsche roubou o fogo dos deuses e incendiou de liberdade o espírito humano. Sartre proclamou que o inferno são os outros e erigiu o absurdo da morte em ato final que destitui a vida de qualquer sentido.
v
Entre angústias e utopias, o último século foi também marcado pelo enigma Jesus. Corações e mentes o acolheram como paradigma: Claudel, Simone Weil, François Mauriac, Chesterton, Péguy, Graham Greene, Alberto Schweitzer etc. No Brasil, Murilo Mendes, Sobral Pinto, Gustavo Corção, Tristão de Athayde, Hélio Pellegrino etc.
Hoje, pavores transcendentais já não atribulariam a alma poética de um William Blake. Entre tanta miséria, esvai-se o encanto. Jesus é Deus que se fez homem e, de homem, virou pão. Pai Nosso/pão nosso. Esta concretude assusta. A fé cristã não proclama a ressurreição da alma, mas "da carne". Jesus não é a figura do Olimpo grego enaltecida pela força irrepresável da literatura. É o judeu crucificado, por razões político-religiosas, na Palestina do século I e cujas aparições, como ressuscitado, contradizem as regras da ficção literária. Que autor criaria um personagem imortal com chagas nas mãos e ansioso por comida? As narrativas evangélicas são, tecnicamente, descrições de um fato objetivo. À luz da fé, proclamação de que Jesus é o Cristo.
Antes de cair em mãos da repressão que o assassinou, Jesus fez-se comida e bebida. Poeta e profeta, dominava a linguagem realista dos símbolos. Eis aqui o desafio atual à inquietude da inteligência. O pão repartido passa a ser corpo divino; o vinho partilhado, aliança feita com sangue e prenúncio da festa sem fim. O Deus de Jesus não é um velho Narciso à cata de adoradores nem um algoz irado com os pecadores. É Abba, o pai amoroso ("mais mãe do que pai", diria João Paulo I), cujo dom maior é a vida.
Já não temos as longas guerras que inquietaram espíritos como Tolstoi e Camus; o que vemos, de Bagdá a Guantánamo, é escabroso comparado à engenharia marcial dos exércitos em conflito: a estrada rumo ao futuro palmilhada de corpos degradados e famintos. Hoje, tropeça-se na rua em seres esquartejados em sua dignidade. Todos os discursos oficiais e todos os ajustes fiscais ofendem a condição humana por exaltarem a concentração do lucro e ignorarem a partilha da vida. Em sua hipocrisia, o sistema salva sua aura cristã e exclui o pão. A metafísica monetarista estabiliza moedas e desestabiliza famílias; reduz a inflação e aumenta a miséria; socorre bancos e multiplica o desemprego; abraça o mercado e despreza o direito à vida - e vida em abundância, para todos.
Agora, a globalização despolitiza, o esoterismo desculpabiliza e o consumismo individualiza. Livres de ideologias messiânicas, de culpas aterrorizadoras e de altruísmo coletivo, estamos à deriva neste início de século, cujas pitonisas proclamam que "a história acabou."
Páscoa é travessia - também para uma ética política, que torne o pão acessível a cada boca e o vinho alegria em cada alma. Somos nós que, em vida, precisamos ressuscitar as potencialidades do espírito, premissas e promessas de uma verdadeira dignidade humana. Num misto de Marcel Proust e Caçador da Arca Perdida, necessitamos urgentemente empreender a busca da consciência perdida, onde a solidária indignação contra as injustiças tenha cheiro de Madeleines apetitosas. Caso contrário, seremos engolidos por esses simulacros de pirâmides - os shopping centers - que sequer têm estrutura para contar à posteridade quão grande foi a pobreza de espírito de uma geração que tinha, como suprema ambição, meia dúzia de engenhocas eletrônicas.
Frei Betto é escritor, autor de "Treze contos diabólicos e um angélico" (Planeta), entre outros livros.
quinta-feira, 13 de março de 2008
mais de 12 milhões de brasileiros vivem em condições inadequadas de moradia
BRASIL DE FATO
por jpereira — Última modificação 13/03/2008 18:05
Pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole aponta que 14% da população com cidades até 150 mil habitantes moram em favelas ou em situação precária
13/03/2008
da Redação Agência Fapesp
Mais de 12 milhões de brasileiros vivem em assentamentos precários nos cerca de 560 municípios brasileiros com mais de 150 mil habitantes, ou localizados em regiões metropolitanas. O número, equivalente a 14% da população dessas cidades, é quase o dobro dos 6,3 milhões que moram em setores censitários classificados como subnormais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados, revelados por uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP – para o Ministério das Cidades, foram publicados no livro Assentamentos precários no Brasil urbano, disponível para download gratuito (clique aqui).
De acordo com o coordenador do estudo Eduardo Marques, diretor do CEM, a obra permite saber a localização e o número de moradores em favelas ou em condições análogas de habitação em cada cidade ou região.
“O livro é importante para ajudar a traçar cenários para políticas habitacionais em níveis federal e municipal. O ministério tinha grandes dificuldades nessa área porque não existiam bases de informações nacionais construídas com esse objetivo”, disse Marques à Agência FAPESP.
Para o pesquisador, se o Ministério das Cidades orientasse as políticas públicas de habitação apenas aos setores classificados como subnormais pelo IBGE, muitas áreas em condições análogas, com carências sociais e infra-estrutura precária, seriam excluídas. “A classificação do IBGE tem caráter administrativo. As áreas subnormais são aqueles nas quais a coleta de dados é mais difícil e, portanto, os pesquisadores ganham um adicional. Mas é um critério anterior ao trabalho de campo e não remete às características dos locais”, afirmou.
Políticas locais
Utilizando técnicas estatísticas, uma equipe de mais de dez pesquisadores do CEM identificou, entre os setores classificados como comuns pelo IBGE, aqueles que se assemelhavam aos do tipo subnormal, segundo variáveis socioeconômicas, demográficas e de características habitacionais.
“Partimos do princípio de que a classificação do IBGE dava uma indicação correta da localização dos assentamentos precários, mas que havia outros com as mesmas características que ficaram de fora. Foram utilizados os dados do censo de 2000”, explicou Marques. A categoria de assentamentos precários inclui as favelas – nas quais os moradores se fixam em uma terra que não lhes pertence – e o loteamento clandestino ou irregular, onde o morador possui o lote, mas quem produziu o loteamento não seguiu os procedimentos da legislação.
“É difícil discriminar essas situações de precariedade habitacional. A partir de agora, esperamos que os municípios possam fazer uma delimitação mais precisa. A idéia é que, com as cartografias locais, os municípios possam organizar suas políticas locais”, destacou. De acordo com Eduardo Marques, a distribuição de grande parte dos recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para a habitação já foi feita com base nos novos dados sobre a localização dos assentamentos precários.
por jpereira — Última modificação 13/03/2008 18:05
Pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole aponta que 14% da população com cidades até 150 mil habitantes moram em favelas ou em situação precária
13/03/2008
da Redação Agência Fapesp
Mais de 12 milhões de brasileiros vivem em assentamentos precários nos cerca de 560 municípios brasileiros com mais de 150 mil habitantes, ou localizados em regiões metropolitanas. O número, equivalente a 14% da população dessas cidades, é quase o dobro dos 6,3 milhões que moram em setores censitários classificados como subnormais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados, revelados por uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP – para o Ministério das Cidades, foram publicados no livro Assentamentos precários no Brasil urbano, disponível para download gratuito (clique aqui).
De acordo com o coordenador do estudo Eduardo Marques, diretor do CEM, a obra permite saber a localização e o número de moradores em favelas ou em condições análogas de habitação em cada cidade ou região.
“O livro é importante para ajudar a traçar cenários para políticas habitacionais em níveis federal e municipal. O ministério tinha grandes dificuldades nessa área porque não existiam bases de informações nacionais construídas com esse objetivo”, disse Marques à Agência FAPESP.
Para o pesquisador, se o Ministério das Cidades orientasse as políticas públicas de habitação apenas aos setores classificados como subnormais pelo IBGE, muitas áreas em condições análogas, com carências sociais e infra-estrutura precária, seriam excluídas. “A classificação do IBGE tem caráter administrativo. As áreas subnormais são aqueles nas quais a coleta de dados é mais difícil e, portanto, os pesquisadores ganham um adicional. Mas é um critério anterior ao trabalho de campo e não remete às características dos locais”, afirmou.
Políticas locais
Utilizando técnicas estatísticas, uma equipe de mais de dez pesquisadores do CEM identificou, entre os setores classificados como comuns pelo IBGE, aqueles que se assemelhavam aos do tipo subnormal, segundo variáveis socioeconômicas, demográficas e de características habitacionais.
“Partimos do princípio de que a classificação do IBGE dava uma indicação correta da localização dos assentamentos precários, mas que havia outros com as mesmas características que ficaram de fora. Foram utilizados os dados do censo de 2000”, explicou Marques. A categoria de assentamentos precários inclui as favelas – nas quais os moradores se fixam em uma terra que não lhes pertence – e o loteamento clandestino ou irregular, onde o morador possui o lote, mas quem produziu o loteamento não seguiu os procedimentos da legislação.
“É difícil discriminar essas situações de precariedade habitacional. A partir de agora, esperamos que os municípios possam fazer uma delimitação mais precisa. A idéia é que, com as cartografias locais, os municípios possam organizar suas políticas locais”, destacou. De acordo com Eduardo Marques, a distribuição de grande parte dos recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para a habitação já foi feita com base nos novos dados sobre a localização dos assentamentos precários.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
MIGRANTES E ECOLOGIA
Escrito por D. Demétrio Valentini
19-Nov-2007
- extraído do site CORREIO DA CIDADANIA (www.correiocidadania.com.br)
Na semana que passou, a Pastoral dos Migrantes realizou sua assembléia nacional. Integrando o vasto leque das “pastorais sociais” da CNBB, ela atua sobretudo junto ao numeroso contingente de migrantes sazonais, e junto aos núcleos de bolivianos, peruanos e paraguaios, que se concentram especialmente na grande São Paulo, e em regiões próximas às fronteiras.
Pela vastidão do seu território, o Brasil abriga dentro de si próprio o fenômeno migratório, na forma de trabalhadores que buscam emprego no corte da cana em São Paulo, ou na colheita de café no sul de Minas.
Eles procedem dos estados nordestinos, mas também do norte de Minas. Em sua grande maioria são homens, que deixam sua região, e permanecem a maior parte do ano distantes de suas famílias.
Um dos trabalhos que a Pastoral dos Migrantes realiza com eles, além de acompanhá-los nos problemas que enfrentam, é manter o contato com a região de origem, facilitando a comunicação com suas famílias. Isto ajuda a humanizar a situação que vivem, incentivando-os a conservarem as motivações, que os levaram a buscar longe da própria casa a oportunidade para garantirem com seu trabalho o sustento de suas famílias.
No ambiente urbano, com os migrantes latinos, uma das atividades da Pastoral dos Migrantes, além de ajudar na regularização dos documentos, é preservar sua cultura, e propiciar encontros de integração entre os migrantes e a população local. É uma presença muito válida, que não só ameniza os problemas cotidianos, mas ajuda os migrantes a assumirem seus direitos e a se afirmarem como cidadãos integrados no novo contexto humano onde passam a viver.
Mas o fenômeno migratório hoje em dia é muito mais vasto e complexo. Ele assume caráter dramático em diversas partes do mundo, sobretudo nas linhas de fronteira que separam o Norte rico do Sul pobre. Isto já é sobejamente conhecido.
As migrações sempre suscitaram grandes transformações, e os migrantes acabam se tornando protagonistas de mudanças.
Acontece que a situação atual aponta para outra dimensão do fenômeno migratório. Só os migrantes serão capazes de deter a dinâmica suicida do processo econômico em andamento, que está levando à depredação da natureza e comprometendo o equilíbrio ambiental do planeta.
Com sua dramática situação, denunciam a contradição de um processo de desenvolvimento excludente e predatório, que não só é injusto, mas suicida em sua dinâmica, que ele mesmo é incapaz de deter.
Na verdade, o atual modelo de desenvolvimento tem uma dinâmica interna irrefreável. Precisa ser sustado de fora. Deixado a si próprio, se torna irreversível. Basta conferir algumas situações. A China, por exemplo, não vai querer deter o seu crescimento, e acelera sua voracidade de matérias primas. Os bancos não vão querer diminuir seus lucros. A indústria quer se expandir. O Brasil só pensa em crescer, a Índia também. Isto é, todos estão a fim de acelerar o processo, não de detê-lo.
Em meio a isto, os migrantes, com sua presença teimosa, com sua insistência organizada, com sua irrefutável postulação, deixam clara a necessidade de repensar todo o processo, porque ele perdeu racionalidade. Além de perverso, tornou-se destruidor de sua sobrevivência, porque compromete a vida do planeta.
Parece se comprovar o ditado que ironicamente era atribuído ao liberalismo: “Fiat quaestus, et pereat mundus!”, “haja lucro, e pereça o mundo!”. Havia a suposição tranqüila de que o mundo nunca iria perecer, e o lucro poderia aumentar ao infinito. Agora, aumentam os temores de que o mundo pode, de fato, perecer pelo colapso do sistema vital de nosso planeta, provocado pelo desvario do sistema econômico.
Os migrantes podem se tornar os protagonistas da inversão de rumo. Eles podem trazer de volta o respeito à natureza e a convivência sóbria e solidária entre todos. Para que nosso planeta continue casa de vida e habitação digna para todos.
D. Demétrio Valentini é bispo de Jales
Web Site: www.diocesedejales.org.br
19-Nov-2007
- extraído do site CORREIO DA CIDADANIA (www.correiocidadania.com.br)
Na semana que passou, a Pastoral dos Migrantes realizou sua assembléia nacional. Integrando o vasto leque das “pastorais sociais” da CNBB, ela atua sobretudo junto ao numeroso contingente de migrantes sazonais, e junto aos núcleos de bolivianos, peruanos e paraguaios, que se concentram especialmente na grande São Paulo, e em regiões próximas às fronteiras.
Pela vastidão do seu território, o Brasil abriga dentro de si próprio o fenômeno migratório, na forma de trabalhadores que buscam emprego no corte da cana em São Paulo, ou na colheita de café no sul de Minas.
Eles procedem dos estados nordestinos, mas também do norte de Minas. Em sua grande maioria são homens, que deixam sua região, e permanecem a maior parte do ano distantes de suas famílias.
Um dos trabalhos que a Pastoral dos Migrantes realiza com eles, além de acompanhá-los nos problemas que enfrentam, é manter o contato com a região de origem, facilitando a comunicação com suas famílias. Isto ajuda a humanizar a situação que vivem, incentivando-os a conservarem as motivações, que os levaram a buscar longe da própria casa a oportunidade para garantirem com seu trabalho o sustento de suas famílias.
No ambiente urbano, com os migrantes latinos, uma das atividades da Pastoral dos Migrantes, além de ajudar na regularização dos documentos, é preservar sua cultura, e propiciar encontros de integração entre os migrantes e a população local. É uma presença muito válida, que não só ameniza os problemas cotidianos, mas ajuda os migrantes a assumirem seus direitos e a se afirmarem como cidadãos integrados no novo contexto humano onde passam a viver.
Mas o fenômeno migratório hoje em dia é muito mais vasto e complexo. Ele assume caráter dramático em diversas partes do mundo, sobretudo nas linhas de fronteira que separam o Norte rico do Sul pobre. Isto já é sobejamente conhecido.
As migrações sempre suscitaram grandes transformações, e os migrantes acabam se tornando protagonistas de mudanças.
Acontece que a situação atual aponta para outra dimensão do fenômeno migratório. Só os migrantes serão capazes de deter a dinâmica suicida do processo econômico em andamento, que está levando à depredação da natureza e comprometendo o equilíbrio ambiental do planeta.
Com sua dramática situação, denunciam a contradição de um processo de desenvolvimento excludente e predatório, que não só é injusto, mas suicida em sua dinâmica, que ele mesmo é incapaz de deter.
Na verdade, o atual modelo de desenvolvimento tem uma dinâmica interna irrefreável. Precisa ser sustado de fora. Deixado a si próprio, se torna irreversível. Basta conferir algumas situações. A China, por exemplo, não vai querer deter o seu crescimento, e acelera sua voracidade de matérias primas. Os bancos não vão querer diminuir seus lucros. A indústria quer se expandir. O Brasil só pensa em crescer, a Índia também. Isto é, todos estão a fim de acelerar o processo, não de detê-lo.
Em meio a isto, os migrantes, com sua presença teimosa, com sua insistência organizada, com sua irrefutável postulação, deixam clara a necessidade de repensar todo o processo, porque ele perdeu racionalidade. Além de perverso, tornou-se destruidor de sua sobrevivência, porque compromete a vida do planeta.
Parece se comprovar o ditado que ironicamente era atribuído ao liberalismo: “Fiat quaestus, et pereat mundus!”, “haja lucro, e pereça o mundo!”. Havia a suposição tranqüila de que o mundo nunca iria perecer, e o lucro poderia aumentar ao infinito. Agora, aumentam os temores de que o mundo pode, de fato, perecer pelo colapso do sistema vital de nosso planeta, provocado pelo desvario do sistema econômico.
Os migrantes podem se tornar os protagonistas da inversão de rumo. Eles podem trazer de volta o respeito à natureza e a convivência sóbria e solidária entre todos. Para que nosso planeta continue casa de vida e habitação digna para todos.
D. Demétrio Valentini é bispo de Jales
Web Site: www.diocesedejales.org.br
domingo, 30 de setembro de 2007
PERIGOS DO USO DO PVC - extraído do site da REDE PERMEAR: www.permear.org.br
Parece um texto longo. Mas é importante que você leia. Comece e te desafio a não ir até o fim!
Muitas vezes vamos a locais que tem uma preocupação com o meio ambiente, e em construir soluções permanentes e nos deparamos com canos de PVC… ainda é pouco difundido pela mídia os riscos e reais perigos do uso deste material.
Assim, este artigo retirado da página http://www.nossofuturoroubado.com.br/pvccontru.htm, vem auxiliar na difusão desta informações importantes na construção de uma vida permanente no planeta.
IMPACTOS AMBIENTAIS DO POLIVINIL CLORETO (PVC OU V)EM MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E EM ARQUITETURARELATO SUMÁRIO PARA “HEALTHY BUILDING NETWORK”
Rede da Construção Civil SaudávelJOE THORNTON, Ph.D
Para dispor do trabalho integral de 110 páginas contatar “Healthy Building Network” 2425 18thStreet, NW, Washington DC 2009-2039)
Sobre o autor
Joe Thornton, Ph.D., é pós-doutorado, cientista e pesquisador do Instituto da Terra e do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Columbia/USA. Suas pesquisas estão focadas nas implicações políticas e sobre a saúde, em razão da poluição química global e na evolução molecular do sistema endócrino animal. Colou os graus de Ph.D., M.A. e M.Phil. em ciências biológicas na Universidade de Columbia e o B.A. na Universidade de Yale/USA.
É autor do livro “Pandora’s Poison: chlorine health, and a New Environmental Strategy/O veneno de Pandora: cloro, saúde e uma nova estratégia ambiental” (MIT Press, 2000). Depois de uma ação conjunta com a Universidade de Columbia, em 1995, em co-autoria com a American Public Healthy Association/Associação Americana de Saúde Pública, tem lutado pela eliminação do PVC em equipamentos e utensílios médicos devido seu comprometimento pela formação de dioxinas na incineração de resíduos hospitalares. Seus trabalhos vêm sendo publicados em numerosos periódicos científicos, entre eles: Proceedings of the National Academy of Sciences, Annual Review of Genomics and Human Genetics, Public Healthy Reports, Bioessays, Sistematic Biology e International Journal of Occupational and Environmental Health.
SUMÁRIO DOS OBJETIVOS
Nos últimos quarenta anos, a resina plástica -polivinil cloreto- (PVC) transformou-se no material de construção civil mais empregado. A produção global de PVC, também conhecido nos USA como vinyl, atinge atualmente um total de mais de 30 milhões de toneladas/ano. A maioria desta produção está dirigida diretamente para materiais de construção civil, mobiliário e aparelhos eletrônicos. A fabricação, a utilização e a disposição de PVC apresentam perigos substanciais e únicos tanto à saúde humana como ambiental. Através do mundo governos, empreendimentos e organizações científicas têm reconhecido os riscos trazidos pelo PVC. Em praticamente todas as nações européias, determinados empregos de PVC foram totalmente eliminados por razões ambientais. Já certos países têm programas ambiciosos para reduzir completamente qualquer uso. Um grande número de comunidades tem políticas de rejeição ao PVC e dezenas de organizações ligadas ao “green buildings” (eco-engenharia) estão construindo com mínima ou nula presença de PVC. Firmas industriais e comerciais anunciam medidas para reduzir o consumo de PVC e estão usando ou produzindo materiais alternativos numa ampla variedade de setores produtivos, incluindo materiais de construção.
Este texto discute os perigos do ciclo-de-vida do PVC e que estão estimulando este movimento em larga escala de eliminação de todos os produtos que contenham PVC.
Os maiores riscos do ciclo-de-vida do PVC discutidos neste relato estão resumidos abaixo.
A produção de PVC é o grande consumidor global do gás cloro.
O PVC consome em torno de 40% de toda a produção de cloro, ou aproximadamente 16 milhões de toneladas de cloro/ano em todo o planeta. O PVC representa o maior produtor, em volume, de organoclorados* . Nas duas últimas décadas do século XX foram profundamente estudados, regulamentados e mesmo banidos face sua dispersão global e os riscos severos que apresentam às saúdes publica e ambiental. O PVC é o único material de construção civil que é organoclorado. Materiais alternativos, incluindo outras resinas plásticas, que não contém cloro e não estão apresentando riscos são discutidos neste texto.
* (NT) Esta é uma classe de produtos sintéticos onde estão as dioxinas e seus “primos” furanos, os agrotóxicos DDT e BHC –mais conhecido entre nós como Pó de Gafanhoto – e os retardadores de chamas PCB’s.
Subprodutos perigosos são formados durante o ciclo-de-vida do PVC.
Em numerosos pontos, durante o ciclo-de-vida do PVC (ou vinil), grandes quantidades de subprodutos organoclorados perigosos são formados acidentalmente e liberados no ambiente.
Produção.
A formação de subprodutos organoclorados perigosos começa com a produção do gás cloro. Quantidades extremamente grandes, na ordem de um milhão de toneladas/ano, de resíduos clorados perigosos são gerados na síntese do etileno dicloreto (ethylene dichloride-EDC) e no monovinil cloreto (vinyl chloride monomer-VCM), ambos precursores do PVC.
Combustão.
Ainda mais subprodutos são criados e liberados no ambiente durante a incineração de resíduos perigosos oriundos do EDC e do VCM:
a - na incineração de produtos de PVC (vinil) no fluxo dos lixos;
b - na reciclagem de produtos metálicos que contenham vinil, na combustão; e
c - na queima acidental de PVC em incêndios de prédios residenciais, depósitos e em lixões.
Subprodutos da produção de PVC são altamente persistentes, bioacumulativos e tóxicos.
As misturas químicas produzidas nas sínteses de EDC e VCM incluem certos tipos de poluentes extremamente perigosos e longevos como as dioxinas (policloradas dibenzo-p-dioxinas), os furanos (policlorados dibenzofuranos), os PCB’s (policloretos bifenilos), o hexaclorobenzeno (BHC ou HCB) e o octacloroestireno (OCE ou OCS). E ainda por cima, uma larga porção destas misturas consiste de químicos que ainda não foram identificadas ou testadas. Muitos dos subprodutos do ciclo-de-vida do PVC ou vinil geram enorme preocupação em razão de suas toxicidade persistente e bioacumulativa:
Persistência.
Significa que a substância resiste à degradação natural, imiscui-se por longo tempo no ambiente e pode ser distribuída globalmente pelos fluxos dos ventos e das águas. Muitos dos subprodutos do ciclo-de-vida do PVC são hoje poluentes ubíquos em todo o planeta podendo ser encontrados não só nas regiões industrializadas, mas nos ecossistemas mais remotos da Terra. Não há uma só pessoa que não tenha sido, nos dias de hoje, expostas a estas substâncias.
Bioacumulação.
Significa que a substância é lipossolúvel e conseqüentemente imiscui-se nos tecidos dos seres vivos. Muitas das substâncias bioacumulativas, incluindo muitas formadas durante o ciclo-de-vida do PVC, magnificam-se quando se movem na cadeia alimentar, alcançando concentrações em espécies acima na cadeia alimentar que são milhões de vezes maiores do que o nível nos ambiente circunvizinhos. Estas substâncias também atravessam a barreira placentária facilmente e concentram-se no leite materno tanto humano como de outros mamíferos.
Toxicidade.
Os precursores, aditivos e subprodutos gerados e liberados durante o ciclo-de-vida do PVC mostraram causar uma série de lesões à saúde, em alguns casos em doses extremamente baixas, incluindo:
· Câncer;
· Disfunção do sistema endócrino;
· Lesões no aparelho reprodutivo;
· Lesões no desenvolvimento infantil e defeitos de nascimento;
· Neurotoxicidade (lesões ao cérebro ou em suas funções); e
· Supressão do sistema imunológico.
Dioxinas.
Entre os mais importantes subprodutos presentes no ciclo-de-vida do PVC estão a dioxina (2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina) e um extenso grupo de compostos estrutural e toxicologicamente semelhantes, coletivamente chamados de dioxinas ou tipo dioxina. Nunca foram intencionalmente fabricadas, mas são formadas acidentalmente sempre que o gás cloro é utilizado ou químicos orgânicos a base de cloro são queimados ou processados sob condições reativas.
As dioxinas são formadas durante numerosos estágios do ciclo-de-vida do PVC.
A formação de dioxinas é constatada quando da produção de cloro, na síntese dos precursores EDC e VCM, na queima de produtos de vinil em incêndios acidentais e na incineração de produtos de PVC e de lixos perigosos oriundos quando de sua produção.
O vinil é a maior fonte de dioxinas.
O vinil é o doador predominante de cloro e por isto a causa maior e prevalente de formação de dioxina na maioria das fontes prioritárias de dioxinas que já foram identificadas. Quando seu ciclo-de-vida for considerado completamente, o vinil aparece estar associado a maior formação de dioxina do que qualquer outro produto isoladamente.
As dioxinas são um poluente global.
As dioxinas são hoje encontradas nos tecidos de baleias nos oceanos profundos, nos ursos polares no alto Ártico e virtualmente em cada ser humano na terra. Os nenês humanos recebem doses particularmente altas (em ordens de magnitude maiores dos que aquelas da média dos adultos) em razão de a dioxina atravessar a barreira placentária facilmente e se concentrar no leite materno.
Não se conhece dose aceitável de dioxina.
A dioxina causa danos ao desenvolvimento e à reprodução além de lesar os sistemas imunológico e endócrino em doses infinitamente baixas (menos de partes por trilhão). Estudos toxicológicos não foram capazes de fixar uma dose “limite” abaixo da qual a dioxina não causaria impactos biológicos.
A dioxina é um potente carcinogênico.
A dioxina é o carcinogênico sintético mais potente jamais testado em animais de laboratório, sendo conhecido também como um carcinogênico humano.
A dioxina apresenta riscos à saúde do público em geral e que são altíssimos.
O limite orgânico de dioxina da população humana em geral dos USA já está no mesmo nível que gera impacto adverso a animais de laboratório. A exposição do americano médio à dioxina já coloca um risco de câncer calculado, passando de um para mil para um para cem. Ou seja, milhares de vezes maior do que o padrão usual para um “risco aceitável”.
Plastificantes ftalatos.
Em sua forma pura, o PVC é rígido e quebradiço. Para fazer os produtos de vinil flexíveis, como o material de forro, de pisos e de paredes, plastificantes precisam ser adicionados em grandes quantidades ao PVC, acima de 60% em peso do produto final. O grupo dominante de plastificantes utilizados em vinil é uma classe de compostos denominados ftalatos e que colocam consideráveis riscos à saúde e ao ambiente. Vinil é o produto de construção civil onde os ftalatos são agregados extensivamente, e está em 90% de todo o seu consumo. Mais de cinco milhões de toneladas de ftalatos são utilizados em PVC a cada ano.
Os ftalatos tornaram-se poluentes globais.
Os ftalatos são moderadamente bioacumulativos e persistentes sob certas condições. Podem ser encontrados atualmente nas águas profundas dos oceanos, no ar das regiões mais remotas e nos tecidos e fluidos orgânicos da população humana em geral. Nenês e crianças estão sujeitas a exposições muitíssimas vezes maiores do que aquelas do adulto médio.
Quantidades massivas de ftalatos são liberadas para o ambiente a cada ano.
Milhões de toneladas de ftalatos são liberadas anualmente no ambiente durante a formulação e moldagem dos produtos de PVC. Ftalatos também são liberados quando o PVC é jogado nos lixões ou incinerado e mesmo quando acidentalmente os produtos de PVC são queimados. Mais do que 80 milhões de toneladas de ftalatos são estimadas estar “estocadas” nos produtos de PVC em uso, seja na construção civil ou noutras aplicações.
Ftalatos lixiviam de produtos de PVC.
Os ftalatos não fazem parte da estrutura química da resina plástica, são simplesmente aderidos ao polímero durante sua formulação. Por esta razão eles lixiviam da resina a todo tempo para o ar, a água ou para outras substâncias com os quais o PVC entra em contato.
Ftalatos danificam a reprodução e o desenvolvimento.
Os ftalatos foram identificados como causadores de danos ao sistema reprodutivo, geradores de infertilidade, de danificar os testículos, reduzir a contagem de espermatozóides, suprimir a ovulação e gerar anormalidades no desenvolvimento e na função dos testículos além de serem conhecidos como cancerígenos e danificadores do trato reprodutivo em animais de laboratório.
A exposição ao ftalato DEHP já é muito alta.
Um comitê de especialistas do National Toxicology Program/Programa Federal de Toxicologia recentemente revisou os riscos do diethylhexyl phthalate/dietilexil ftalato (DEHP, o plastificante mais comum de PVC). Afirmou sua “inquietação quanto à exposição (de nenês e crianças da população em geral dos USA) que poderá afetar negativamente o desenvolvimento do aparelho reprodutivo masculino” e “preocupação de que a exposição oral por mulheres grávidas ou lactantes por DEHP poderá afetar adversamente o desenvolvimento de suas proles”. A dose do americano médio do plastificante DEHP é agora aproximadamente igual à dose referência da EPA/USA Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental dos USA) – a exposição máxima “aceitável” baseada em estudos do impacto sobre a saúde de animais de laboratório.
O chumbo e outros metais pesados como estabilizantes de PVC.
Em razão de que os catalisadores de PVC têm sua própria decomposição, estabilizantes metálicos são adicionados ao vinil para materiais de construção civil e em outras aplicações de longa vida. Os aditivos comuns do PVC que são particularmente perigosos são o chumbo, o cádmio e o estanho cujo consumo de cada um pelo PVC está estimado em milhares de toneladas por ano.
Os metais não se degradam no ambiente.
Os três maiores estabilizantes do PVC resistem à sua metabolização e transformam-se em poluentes globais.
Os estabilizantes metálicos são extremamente tóxicos.
O chumbo é tóxico ao desenvolvimento extraordinariamente potente, bem como agressor do desenvolvimento cerebral, redutor da habilidade de cognição e do QI de crianças, atuando em doses infinitamente pequenas. O cádmio é um potente neurotóxico e carcinogênico, enquanto o estanho pode causar supressão imunológica e disfunção no sistema endócrino.
Os estabilizantes metálicos são liberados durante todo o ciclo-de-vida dos produtos de PVC.
Os estabilizadores metálicos são liberados dos produtos de vinil quando eles são formulados, utilizados e jogados fora. A liberação de estabilizadores de chumbo do interior dos materiais de construção civil já foi documentada. Os metais não são destruídos pela incineração, mas são inteiramente liberados para o ambiente, via emissões aéreas ou pelas cinzas. Os resíduos dos incineradores são a fonte primordial da poluição de chumbo, cádmio e chumbo, sendo que o PVC contribui com quantidades significativas destes metais. A estimativa, para os incineradores, é de 45 mil toneladas de chumbo por ano.
Incêndios acidentais em prédios e aterros de lixo são também fontes potencialmente importantes de chumbo e cádmio. Nestes sinistros, os metais do PVC serão liberados para o ambiente. Há a espantosa quantidade de 3,2 milhões de toneladas de chumbo presentes em estoque nos produtos de PVC em utilização. O chumbo que poderá ser liberado desta fonte de PVC precisa ser visto como um imenso risco potencial à saúde em geral.
O PVC flexível ameaça a qualidade do ar em ambientes fechados.
Os produtos de vinil flexíveis aparecem como danosos à saúde em ambientes fechados, pobres em ventilação, tanto pela liberação de ftalatos como por oportunizar a proliferação de fungos perniciosos.
Produtos de PVC liberam ftalatos nos espaços internos dos prédios.
Os níveis de ftalatos nos espaços internos das edificações são significativamente muito mais altos dos que os que são verificados na atmosfera das áreas externas. A acumulação de ftalatos nas poeiras em suspensão e nos sedimentos das áreas internas é particularmente alta, em concentrações tão elevadas nas poeiras como mil partes por milhão.
A exposição a ftalatos pode estar conectada à asma.
Em animais de laboratório, metabólitos de ftalatos utilizados em produtos de vinil causam sintomas tipo asma de acordo com mecanismos infamatórios perfeitamente descritos. Três estudos epidemiológicos diferentes demonstraram que a exposição humana ao PVC em interiores de edificações causava elevação significativa dos riscos de asma e outras complicações pulmonares incluindo obstrução bronquial, respiração ofegante, pneumonia, tosse comprida, irritação das vias nasais e dos olhos.
Os produtos de PVC podem liberar metais pesados no ambiente dos prédios.
Estabilizantes metálicos, particularmente chumbo e cádmio podem ser liberados dos produtos de vinil. Quantidades significativas de chumbo foram detectadas na atmosfera por terem sido liberadas das persianas bem como na água que teria circulado por tubulação de PVC. Efeitos toxicológicos destas substâncias incluem danos neurológicos e aos processos reprodutivo e do desenvolvimento.
O vinil em cobertura de paredes encoraja o crescimento de fungos perniciosos.
Em razão da cobertura das paredes com vinil formar uma barreira impermeável à umidade, redunda no encorajamento do desenvolvimento de fungos em suas superfícies abaixo do vinil, particularmente em prédios onde as condições do ar condicionado e dos sistemas de aquecimento produzem diferenciais significativas de temperatura e umidade entre as peças e vãos das paredes. Alguns fungos que crescem abaixo do vinil produzem substâncias tóxicas que são liberadas na atmosfera e são suspeitas de causarem severos problemas de saúde humana. Numerosas situações são ativadas quando há a conexão entre os fungos originários dos produtos de vinil e os sintomas neurológicos e respiratórios entre as pessoas que foram expostas. O vinil tem sido citado entre os materiais de construção civil de interiores que mais facilitaria o crescimento deste tipo de fungos.
Trabalhadores e comunidades que foram expostos a substâncias tóxicas devido à produção de PVC.
Na produção de PVC, muitas toneladas dos precursores EDC (ethylene dichloride/etileno dicloro) e VCM (vinyl chloride monomer/ monômero de vinilcloreto) são, anualmente, liberadas tanto no local de produção e trabalho como nos ambientes do entorno.
Os precursores do PVC causam câncer e outros impactos à saúde.
Ambos, o EDC e o VCM causam cânceres em animais de laboratório. O VCM é classificado como um conhecido cancerígeno humano e o EDC é um provável carcinogênico humano. O incremento dos riscos do câncer de fígado e do cérebro foi documentado entre os trabalhadores expostos ao VCM. São tóxicos ao sistema nervoso e causam uma série de outros impactos sobre a saúde humana. Há uma evidência preliminar de que os trabalhadores envolvidos na produção de produtos de PVC podem apresentar riscos elevados de contraírem câncer testicular.
Não há níveis seguros de exposição ao VCM.
Apesar das exposições nos locais de trabalho como nos espaços de produção de químicos e de plásticos nos USA terem sido significantemente reduzidas dos níveis dos anos sessenta, não há limites abaixo dos quais o VCM não aumente os riscos de cânceres. Assim, a exposição corrente nos USA continua a colocar riscos de câncer entre os trabalhadores. Em face disto, a exposição ocupacional a VCM permanece extremamente alta em alguns espaços de produção no leste europeu e na Ásia.
A produção de derivados de VCM é a maior das poluidoras.
Foram documentadas severas contaminações em comunidades e cursos d’água nas vizinhanças de áreas de produção de derivados de VCM. Na Louisiana/USA, níveis significativamente elevados de dioxinas foram detectados no sangue da população que vive perto de locais de produção de derivados de VCM. Uma série de comunidades foi evacuada devido à contaminação dos lençóis freáticos onde níveis extremamente elevados de subprodutos altamente persistentes e bioacumulativos atribuídos à produção de VCM foram detectados nos mananciais hídricos próximos. Na Europa, a produção de derivados de VCM causou severas contaminações com dioxinas e outros subprodutos.
A produção de produtos clorados consome enormes quantidades de energia.
A produção de clorados é um dos processos industriais do mundo mais intensivo em energia, consumindo em torno de um por cento do consumo de eletricidade total do planeta. A produção de cloro para o emprego em PVC consome estimativamente 47 bilhões de kilowatts/hora por ano. É equivalente à produção total por ano de oito usinas atômicas de tamanho médio.
A produção de clorados provoca poluição com mercúrio.
O processo com base a mercúrio para a produção de clorados abarca mais ou menos um terço da produção total no mundo de clorados. Neste processo, grandes quantidades de mercúrio são liberadas no ambiente. O mercúrio é hoje um dos poluentes que causam severos impactos sobre o desenvolvimento e os sistemas reprodutivo e neurológico em baixas doses. O ciclo-de-vida do vinil está associado com a liberação contínua no ambiente, de muitas toneladas de mercúrio por ano.
O PVC é extremamente difícil de ser reciclado.
Pequena quantidade de PVC é reciclada. E esta situação é muito pouco provável que se altere no futuro próximo. Em razão de que cada produto de PVC conter uma mistura única de aditivos, o pós-consumo de produtos de PVC com estas misturas é extremamente difícil já que não se consegue ter produtos de vinil com a qualidade equivalente aos produtos originais. Mesmo na Europa onde a reciclagem de PVC é mais avançada dos que nos USA, menos do que três por cento do PVC pós-consumido é reciclado, sendo que a maioria dele é meramente um dos componentes de segunda linha agregado a outros produtos. Significa então que não há real redução na produção de PVC “virgem”. Lá pelo ano 2020, somente nove por cento de todo o lixo pós-consumo de PVC espera-se que venha a ser reciclado na Europa, com um máximo potencial de não mais do que 18 por cento.
O PVC é um dos produtos de consumo ambientalmente mais perigoso que jamais foi produzido.
O ciclo-de-vida do PVC apresenta uma oportunidade depois da outra tanto para a formação como para a descarga de organoclorados e outras substâncias perigosas no ambiente. Quando o ciclo-de-vida é considerado por inteiro, torna-se claro de que este plástico aparentemente tão inócuo é um dos produtos de consumo produzido mais perigosos, sob o aspecto ambiental, por gerar enormes quantidades de organoclorados tóxicos e persistentes, liberando-os tanto nos espaços internos como externos onde estiverem presentes. O PVC contribui com uma porção significativa dos níveis mundiais de poluentes orgânicos persistentes e alteradores do sistema endócrino, incluindo dioxinas e ftalatos, que hoje estão presentes universalmente tanto nos ambientes como nos organismos das populações humanas. Fora de quaisquer dúvidas, o PVC é causador de consideráveis doenças ocupacionais e um profundo contaminador dos ambientes locais.
Em suma: os precursores, os aditivos e os subprodutos presentes no ciclo-de-vida do PVC já estão presentes nos ambientes de produção, local e globalmente, em níveis inaceitavelmente altos. Esforços para reduzir a produção e liberação destas substâncias deveriam ser prioridades para as saúdes pública e ambiental.
Este é o tempo de banirmos os materiais de construção civil feitos de PVC.
Os perigos colocados pela dioxina, pelos ftalatos, metais pesados, cloretos vinílicos e etileno dicloreto são intrínsecos ao PVC. Ao mesmo tempo contém cloro e exige plastificantes ou estabilizantes. E é largamente utilizada em materiais de construção civil. Por esta razão, os materiais de construção feitos com PVC representam um significativo e desnecessário risco à saúde ambiental e bani-los em favor de alternativas mais seguras deveria ser uma alta prioridade.
O PVC é a antítese do processo de construção de moradias saudáveis, seguras e acolhedoras. Esforços para uma rápida adoção de substitutos saudáveis e seguros poderiam trazer benéficos significativos e tangíveis para as saúdes humana e do ambiente.
Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha
Muitas vezes vamos a locais que tem uma preocupação com o meio ambiente, e em construir soluções permanentes e nos deparamos com canos de PVC… ainda é pouco difundido pela mídia os riscos e reais perigos do uso deste material.
Assim, este artigo retirado da página http://www.nossofuturoroubado.com.br/pvccontru.htm, vem auxiliar na difusão desta informações importantes na construção de uma vida permanente no planeta.
IMPACTOS AMBIENTAIS DO POLIVINIL CLORETO (PVC OU V)EM MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E EM ARQUITETURARELATO SUMÁRIO PARA “HEALTHY BUILDING NETWORK”
Rede da Construção Civil SaudávelJOE THORNTON, Ph.D
Para dispor do trabalho integral de 110 páginas contatar “Healthy Building Network” 2425 18thStreet, NW, Washington DC 2009-2039)
Sobre o autor
Joe Thornton, Ph.D., é pós-doutorado, cientista e pesquisador do Instituto da Terra e do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Columbia/USA. Suas pesquisas estão focadas nas implicações políticas e sobre a saúde, em razão da poluição química global e na evolução molecular do sistema endócrino animal. Colou os graus de Ph.D., M.A. e M.Phil. em ciências biológicas na Universidade de Columbia e o B.A. na Universidade de Yale/USA.
É autor do livro “Pandora’s Poison: chlorine health, and a New Environmental Strategy/O veneno de Pandora: cloro, saúde e uma nova estratégia ambiental” (MIT Press, 2000). Depois de uma ação conjunta com a Universidade de Columbia, em 1995, em co-autoria com a American Public Healthy Association/Associação Americana de Saúde Pública, tem lutado pela eliminação do PVC em equipamentos e utensílios médicos devido seu comprometimento pela formação de dioxinas na incineração de resíduos hospitalares. Seus trabalhos vêm sendo publicados em numerosos periódicos científicos, entre eles: Proceedings of the National Academy of Sciences, Annual Review of Genomics and Human Genetics, Public Healthy Reports, Bioessays, Sistematic Biology e International Journal of Occupational and Environmental Health.
SUMÁRIO DOS OBJETIVOS
Nos últimos quarenta anos, a resina plástica -polivinil cloreto- (PVC) transformou-se no material de construção civil mais empregado. A produção global de PVC, também conhecido nos USA como vinyl, atinge atualmente um total de mais de 30 milhões de toneladas/ano. A maioria desta produção está dirigida diretamente para materiais de construção civil, mobiliário e aparelhos eletrônicos. A fabricação, a utilização e a disposição de PVC apresentam perigos substanciais e únicos tanto à saúde humana como ambiental. Através do mundo governos, empreendimentos e organizações científicas têm reconhecido os riscos trazidos pelo PVC. Em praticamente todas as nações européias, determinados empregos de PVC foram totalmente eliminados por razões ambientais. Já certos países têm programas ambiciosos para reduzir completamente qualquer uso. Um grande número de comunidades tem políticas de rejeição ao PVC e dezenas de organizações ligadas ao “green buildings” (eco-engenharia) estão construindo com mínima ou nula presença de PVC. Firmas industriais e comerciais anunciam medidas para reduzir o consumo de PVC e estão usando ou produzindo materiais alternativos numa ampla variedade de setores produtivos, incluindo materiais de construção.
Este texto discute os perigos do ciclo-de-vida do PVC e que estão estimulando este movimento em larga escala de eliminação de todos os produtos que contenham PVC.
Os maiores riscos do ciclo-de-vida do PVC discutidos neste relato estão resumidos abaixo.
A produção de PVC é o grande consumidor global do gás cloro.
O PVC consome em torno de 40% de toda a produção de cloro, ou aproximadamente 16 milhões de toneladas de cloro/ano em todo o planeta. O PVC representa o maior produtor, em volume, de organoclorados* . Nas duas últimas décadas do século XX foram profundamente estudados, regulamentados e mesmo banidos face sua dispersão global e os riscos severos que apresentam às saúdes publica e ambiental. O PVC é o único material de construção civil que é organoclorado. Materiais alternativos, incluindo outras resinas plásticas, que não contém cloro e não estão apresentando riscos são discutidos neste texto.
* (NT) Esta é uma classe de produtos sintéticos onde estão as dioxinas e seus “primos” furanos, os agrotóxicos DDT e BHC –mais conhecido entre nós como Pó de Gafanhoto – e os retardadores de chamas PCB’s.
Subprodutos perigosos são formados durante o ciclo-de-vida do PVC.
Em numerosos pontos, durante o ciclo-de-vida do PVC (ou vinil), grandes quantidades de subprodutos organoclorados perigosos são formados acidentalmente e liberados no ambiente.
Produção.
A formação de subprodutos organoclorados perigosos começa com a produção do gás cloro. Quantidades extremamente grandes, na ordem de um milhão de toneladas/ano, de resíduos clorados perigosos são gerados na síntese do etileno dicloreto (ethylene dichloride-EDC) e no monovinil cloreto (vinyl chloride monomer-VCM), ambos precursores do PVC.
Combustão.
Ainda mais subprodutos são criados e liberados no ambiente durante a incineração de resíduos perigosos oriundos do EDC e do VCM:
a - na incineração de produtos de PVC (vinil) no fluxo dos lixos;
b - na reciclagem de produtos metálicos que contenham vinil, na combustão; e
c - na queima acidental de PVC em incêndios de prédios residenciais, depósitos e em lixões.
Subprodutos da produção de PVC são altamente persistentes, bioacumulativos e tóxicos.
As misturas químicas produzidas nas sínteses de EDC e VCM incluem certos tipos de poluentes extremamente perigosos e longevos como as dioxinas (policloradas dibenzo-p-dioxinas), os furanos (policlorados dibenzofuranos), os PCB’s (policloretos bifenilos), o hexaclorobenzeno (BHC ou HCB) e o octacloroestireno (OCE ou OCS). E ainda por cima, uma larga porção destas misturas consiste de químicos que ainda não foram identificadas ou testadas. Muitos dos subprodutos do ciclo-de-vida do PVC ou vinil geram enorme preocupação em razão de suas toxicidade persistente e bioacumulativa:
Persistência.
Significa que a substância resiste à degradação natural, imiscui-se por longo tempo no ambiente e pode ser distribuída globalmente pelos fluxos dos ventos e das águas. Muitos dos subprodutos do ciclo-de-vida do PVC são hoje poluentes ubíquos em todo o planeta podendo ser encontrados não só nas regiões industrializadas, mas nos ecossistemas mais remotos da Terra. Não há uma só pessoa que não tenha sido, nos dias de hoje, expostas a estas substâncias.
Bioacumulação.
Significa que a substância é lipossolúvel e conseqüentemente imiscui-se nos tecidos dos seres vivos. Muitas das substâncias bioacumulativas, incluindo muitas formadas durante o ciclo-de-vida do PVC, magnificam-se quando se movem na cadeia alimentar, alcançando concentrações em espécies acima na cadeia alimentar que são milhões de vezes maiores do que o nível nos ambiente circunvizinhos. Estas substâncias também atravessam a barreira placentária facilmente e concentram-se no leite materno tanto humano como de outros mamíferos.
Toxicidade.
Os precursores, aditivos e subprodutos gerados e liberados durante o ciclo-de-vida do PVC mostraram causar uma série de lesões à saúde, em alguns casos em doses extremamente baixas, incluindo:
· Câncer;
· Disfunção do sistema endócrino;
· Lesões no aparelho reprodutivo;
· Lesões no desenvolvimento infantil e defeitos de nascimento;
· Neurotoxicidade (lesões ao cérebro ou em suas funções); e
· Supressão do sistema imunológico.
Dioxinas.
Entre os mais importantes subprodutos presentes no ciclo-de-vida do PVC estão a dioxina (2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina) e um extenso grupo de compostos estrutural e toxicologicamente semelhantes, coletivamente chamados de dioxinas ou tipo dioxina. Nunca foram intencionalmente fabricadas, mas são formadas acidentalmente sempre que o gás cloro é utilizado ou químicos orgânicos a base de cloro são queimados ou processados sob condições reativas.
As dioxinas são formadas durante numerosos estágios do ciclo-de-vida do PVC.
A formação de dioxinas é constatada quando da produção de cloro, na síntese dos precursores EDC e VCM, na queima de produtos de vinil em incêndios acidentais e na incineração de produtos de PVC e de lixos perigosos oriundos quando de sua produção.
O vinil é a maior fonte de dioxinas.
O vinil é o doador predominante de cloro e por isto a causa maior e prevalente de formação de dioxina na maioria das fontes prioritárias de dioxinas que já foram identificadas. Quando seu ciclo-de-vida for considerado completamente, o vinil aparece estar associado a maior formação de dioxina do que qualquer outro produto isoladamente.
As dioxinas são um poluente global.
As dioxinas são hoje encontradas nos tecidos de baleias nos oceanos profundos, nos ursos polares no alto Ártico e virtualmente em cada ser humano na terra. Os nenês humanos recebem doses particularmente altas (em ordens de magnitude maiores dos que aquelas da média dos adultos) em razão de a dioxina atravessar a barreira placentária facilmente e se concentrar no leite materno.
Não se conhece dose aceitável de dioxina.
A dioxina causa danos ao desenvolvimento e à reprodução além de lesar os sistemas imunológico e endócrino em doses infinitamente baixas (menos de partes por trilhão). Estudos toxicológicos não foram capazes de fixar uma dose “limite” abaixo da qual a dioxina não causaria impactos biológicos.
A dioxina é um potente carcinogênico.
A dioxina é o carcinogênico sintético mais potente jamais testado em animais de laboratório, sendo conhecido também como um carcinogênico humano.
A dioxina apresenta riscos à saúde do público em geral e que são altíssimos.
O limite orgânico de dioxina da população humana em geral dos USA já está no mesmo nível que gera impacto adverso a animais de laboratório. A exposição do americano médio à dioxina já coloca um risco de câncer calculado, passando de um para mil para um para cem. Ou seja, milhares de vezes maior do que o padrão usual para um “risco aceitável”.
Plastificantes ftalatos.
Em sua forma pura, o PVC é rígido e quebradiço. Para fazer os produtos de vinil flexíveis, como o material de forro, de pisos e de paredes, plastificantes precisam ser adicionados em grandes quantidades ao PVC, acima de 60% em peso do produto final. O grupo dominante de plastificantes utilizados em vinil é uma classe de compostos denominados ftalatos e que colocam consideráveis riscos à saúde e ao ambiente. Vinil é o produto de construção civil onde os ftalatos são agregados extensivamente, e está em 90% de todo o seu consumo. Mais de cinco milhões de toneladas de ftalatos são utilizados em PVC a cada ano.
Os ftalatos tornaram-se poluentes globais.
Os ftalatos são moderadamente bioacumulativos e persistentes sob certas condições. Podem ser encontrados atualmente nas águas profundas dos oceanos, no ar das regiões mais remotas e nos tecidos e fluidos orgânicos da população humana em geral. Nenês e crianças estão sujeitas a exposições muitíssimas vezes maiores do que aquelas do adulto médio.
Quantidades massivas de ftalatos são liberadas para o ambiente a cada ano.
Milhões de toneladas de ftalatos são liberadas anualmente no ambiente durante a formulação e moldagem dos produtos de PVC. Ftalatos também são liberados quando o PVC é jogado nos lixões ou incinerado e mesmo quando acidentalmente os produtos de PVC são queimados. Mais do que 80 milhões de toneladas de ftalatos são estimadas estar “estocadas” nos produtos de PVC em uso, seja na construção civil ou noutras aplicações.
Ftalatos lixiviam de produtos de PVC.
Os ftalatos não fazem parte da estrutura química da resina plástica, são simplesmente aderidos ao polímero durante sua formulação. Por esta razão eles lixiviam da resina a todo tempo para o ar, a água ou para outras substâncias com os quais o PVC entra em contato.
Ftalatos danificam a reprodução e o desenvolvimento.
Os ftalatos foram identificados como causadores de danos ao sistema reprodutivo, geradores de infertilidade, de danificar os testículos, reduzir a contagem de espermatozóides, suprimir a ovulação e gerar anormalidades no desenvolvimento e na função dos testículos além de serem conhecidos como cancerígenos e danificadores do trato reprodutivo em animais de laboratório.
A exposição ao ftalato DEHP já é muito alta.
Um comitê de especialistas do National Toxicology Program/Programa Federal de Toxicologia recentemente revisou os riscos do diethylhexyl phthalate/dietilexil ftalato (DEHP, o plastificante mais comum de PVC). Afirmou sua “inquietação quanto à exposição (de nenês e crianças da população em geral dos USA) que poderá afetar negativamente o desenvolvimento do aparelho reprodutivo masculino” e “preocupação de que a exposição oral por mulheres grávidas ou lactantes por DEHP poderá afetar adversamente o desenvolvimento de suas proles”. A dose do americano médio do plastificante DEHP é agora aproximadamente igual à dose referência da EPA/USA Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental dos USA) – a exposição máxima “aceitável” baseada em estudos do impacto sobre a saúde de animais de laboratório.
O chumbo e outros metais pesados como estabilizantes de PVC.
Em razão de que os catalisadores de PVC têm sua própria decomposição, estabilizantes metálicos são adicionados ao vinil para materiais de construção civil e em outras aplicações de longa vida. Os aditivos comuns do PVC que são particularmente perigosos são o chumbo, o cádmio e o estanho cujo consumo de cada um pelo PVC está estimado em milhares de toneladas por ano.
Os metais não se degradam no ambiente.
Os três maiores estabilizantes do PVC resistem à sua metabolização e transformam-se em poluentes globais.
Os estabilizantes metálicos são extremamente tóxicos.
O chumbo é tóxico ao desenvolvimento extraordinariamente potente, bem como agressor do desenvolvimento cerebral, redutor da habilidade de cognição e do QI de crianças, atuando em doses infinitamente pequenas. O cádmio é um potente neurotóxico e carcinogênico, enquanto o estanho pode causar supressão imunológica e disfunção no sistema endócrino.
Os estabilizantes metálicos são liberados durante todo o ciclo-de-vida dos produtos de PVC.
Os estabilizadores metálicos são liberados dos produtos de vinil quando eles são formulados, utilizados e jogados fora. A liberação de estabilizadores de chumbo do interior dos materiais de construção civil já foi documentada. Os metais não são destruídos pela incineração, mas são inteiramente liberados para o ambiente, via emissões aéreas ou pelas cinzas. Os resíduos dos incineradores são a fonte primordial da poluição de chumbo, cádmio e chumbo, sendo que o PVC contribui com quantidades significativas destes metais. A estimativa, para os incineradores, é de 45 mil toneladas de chumbo por ano.
Incêndios acidentais em prédios e aterros de lixo são também fontes potencialmente importantes de chumbo e cádmio. Nestes sinistros, os metais do PVC serão liberados para o ambiente. Há a espantosa quantidade de 3,2 milhões de toneladas de chumbo presentes em estoque nos produtos de PVC em utilização. O chumbo que poderá ser liberado desta fonte de PVC precisa ser visto como um imenso risco potencial à saúde em geral.
O PVC flexível ameaça a qualidade do ar em ambientes fechados.
Os produtos de vinil flexíveis aparecem como danosos à saúde em ambientes fechados, pobres em ventilação, tanto pela liberação de ftalatos como por oportunizar a proliferação de fungos perniciosos.
Produtos de PVC liberam ftalatos nos espaços internos dos prédios.
Os níveis de ftalatos nos espaços internos das edificações são significativamente muito mais altos dos que os que são verificados na atmosfera das áreas externas. A acumulação de ftalatos nas poeiras em suspensão e nos sedimentos das áreas internas é particularmente alta, em concentrações tão elevadas nas poeiras como mil partes por milhão.
A exposição a ftalatos pode estar conectada à asma.
Em animais de laboratório, metabólitos de ftalatos utilizados em produtos de vinil causam sintomas tipo asma de acordo com mecanismos infamatórios perfeitamente descritos. Três estudos epidemiológicos diferentes demonstraram que a exposição humana ao PVC em interiores de edificações causava elevação significativa dos riscos de asma e outras complicações pulmonares incluindo obstrução bronquial, respiração ofegante, pneumonia, tosse comprida, irritação das vias nasais e dos olhos.
Os produtos de PVC podem liberar metais pesados no ambiente dos prédios.
Estabilizantes metálicos, particularmente chumbo e cádmio podem ser liberados dos produtos de vinil. Quantidades significativas de chumbo foram detectadas na atmosfera por terem sido liberadas das persianas bem como na água que teria circulado por tubulação de PVC. Efeitos toxicológicos destas substâncias incluem danos neurológicos e aos processos reprodutivo e do desenvolvimento.
O vinil em cobertura de paredes encoraja o crescimento de fungos perniciosos.
Em razão da cobertura das paredes com vinil formar uma barreira impermeável à umidade, redunda no encorajamento do desenvolvimento de fungos em suas superfícies abaixo do vinil, particularmente em prédios onde as condições do ar condicionado e dos sistemas de aquecimento produzem diferenciais significativas de temperatura e umidade entre as peças e vãos das paredes. Alguns fungos que crescem abaixo do vinil produzem substâncias tóxicas que são liberadas na atmosfera e são suspeitas de causarem severos problemas de saúde humana. Numerosas situações são ativadas quando há a conexão entre os fungos originários dos produtos de vinil e os sintomas neurológicos e respiratórios entre as pessoas que foram expostas. O vinil tem sido citado entre os materiais de construção civil de interiores que mais facilitaria o crescimento deste tipo de fungos.
Trabalhadores e comunidades que foram expostos a substâncias tóxicas devido à produção de PVC.
Na produção de PVC, muitas toneladas dos precursores EDC (ethylene dichloride/etileno dicloro) e VCM (vinyl chloride monomer/ monômero de vinilcloreto) são, anualmente, liberadas tanto no local de produção e trabalho como nos ambientes do entorno.
Os precursores do PVC causam câncer e outros impactos à saúde.
Ambos, o EDC e o VCM causam cânceres em animais de laboratório. O VCM é classificado como um conhecido cancerígeno humano e o EDC é um provável carcinogênico humano. O incremento dos riscos do câncer de fígado e do cérebro foi documentado entre os trabalhadores expostos ao VCM. São tóxicos ao sistema nervoso e causam uma série de outros impactos sobre a saúde humana. Há uma evidência preliminar de que os trabalhadores envolvidos na produção de produtos de PVC podem apresentar riscos elevados de contraírem câncer testicular.
Não há níveis seguros de exposição ao VCM.
Apesar das exposições nos locais de trabalho como nos espaços de produção de químicos e de plásticos nos USA terem sido significantemente reduzidas dos níveis dos anos sessenta, não há limites abaixo dos quais o VCM não aumente os riscos de cânceres. Assim, a exposição corrente nos USA continua a colocar riscos de câncer entre os trabalhadores. Em face disto, a exposição ocupacional a VCM permanece extremamente alta em alguns espaços de produção no leste europeu e na Ásia.
A produção de derivados de VCM é a maior das poluidoras.
Foram documentadas severas contaminações em comunidades e cursos d’água nas vizinhanças de áreas de produção de derivados de VCM. Na Louisiana/USA, níveis significativamente elevados de dioxinas foram detectados no sangue da população que vive perto de locais de produção de derivados de VCM. Uma série de comunidades foi evacuada devido à contaminação dos lençóis freáticos onde níveis extremamente elevados de subprodutos altamente persistentes e bioacumulativos atribuídos à produção de VCM foram detectados nos mananciais hídricos próximos. Na Europa, a produção de derivados de VCM causou severas contaminações com dioxinas e outros subprodutos.
A produção de produtos clorados consome enormes quantidades de energia.
A produção de clorados é um dos processos industriais do mundo mais intensivo em energia, consumindo em torno de um por cento do consumo de eletricidade total do planeta. A produção de cloro para o emprego em PVC consome estimativamente 47 bilhões de kilowatts/hora por ano. É equivalente à produção total por ano de oito usinas atômicas de tamanho médio.
A produção de clorados provoca poluição com mercúrio.
O processo com base a mercúrio para a produção de clorados abarca mais ou menos um terço da produção total no mundo de clorados. Neste processo, grandes quantidades de mercúrio são liberadas no ambiente. O mercúrio é hoje um dos poluentes que causam severos impactos sobre o desenvolvimento e os sistemas reprodutivo e neurológico em baixas doses. O ciclo-de-vida do vinil está associado com a liberação contínua no ambiente, de muitas toneladas de mercúrio por ano.
O PVC é extremamente difícil de ser reciclado.
Pequena quantidade de PVC é reciclada. E esta situação é muito pouco provável que se altere no futuro próximo. Em razão de que cada produto de PVC conter uma mistura única de aditivos, o pós-consumo de produtos de PVC com estas misturas é extremamente difícil já que não se consegue ter produtos de vinil com a qualidade equivalente aos produtos originais. Mesmo na Europa onde a reciclagem de PVC é mais avançada dos que nos USA, menos do que três por cento do PVC pós-consumido é reciclado, sendo que a maioria dele é meramente um dos componentes de segunda linha agregado a outros produtos. Significa então que não há real redução na produção de PVC “virgem”. Lá pelo ano 2020, somente nove por cento de todo o lixo pós-consumo de PVC espera-se que venha a ser reciclado na Europa, com um máximo potencial de não mais do que 18 por cento.
O PVC é um dos produtos de consumo ambientalmente mais perigoso que jamais foi produzido.
O ciclo-de-vida do PVC apresenta uma oportunidade depois da outra tanto para a formação como para a descarga de organoclorados e outras substâncias perigosas no ambiente. Quando o ciclo-de-vida é considerado por inteiro, torna-se claro de que este plástico aparentemente tão inócuo é um dos produtos de consumo produzido mais perigosos, sob o aspecto ambiental, por gerar enormes quantidades de organoclorados tóxicos e persistentes, liberando-os tanto nos espaços internos como externos onde estiverem presentes. O PVC contribui com uma porção significativa dos níveis mundiais de poluentes orgânicos persistentes e alteradores do sistema endócrino, incluindo dioxinas e ftalatos, que hoje estão presentes universalmente tanto nos ambientes como nos organismos das populações humanas. Fora de quaisquer dúvidas, o PVC é causador de consideráveis doenças ocupacionais e um profundo contaminador dos ambientes locais.
Em suma: os precursores, os aditivos e os subprodutos presentes no ciclo-de-vida do PVC já estão presentes nos ambientes de produção, local e globalmente, em níveis inaceitavelmente altos. Esforços para reduzir a produção e liberação destas substâncias deveriam ser prioridades para as saúdes pública e ambiental.
Este é o tempo de banirmos os materiais de construção civil feitos de PVC.
Os perigos colocados pela dioxina, pelos ftalatos, metais pesados, cloretos vinílicos e etileno dicloreto são intrínsecos ao PVC. Ao mesmo tempo contém cloro e exige plastificantes ou estabilizantes. E é largamente utilizada em materiais de construção civil. Por esta razão, os materiais de construção feitos com PVC representam um significativo e desnecessário risco à saúde ambiental e bani-los em favor de alternativas mais seguras deveria ser uma alta prioridade.
O PVC é a antítese do processo de construção de moradias saudáveis, seguras e acolhedoras. Esforços para uma rápida adoção de substitutos saudáveis e seguros poderiam trazer benéficos significativos e tangíveis para as saúdes humana e do ambiente.
Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha
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