06/09/2007 18:47
Sim, são iguais
Qual é o país de democracia autêntica e civilização avançada, onde o presidente do Senado, envolvido em falcatruas e mazelas, resiste impassível, agarrado à sua cadeira? Haveria ali outro Renan Calheiros? O nosso Renan é o símbolo vivo de uma terra medieval, o seu comportamento transcende a política, abarca, em todos os aspectos e em todas as direções, um modo de vida mafioso. Leitores de jornais e revistas, em boa parte filiados ao clube do privilégio, desprezam Renan e o apontam à execração geral e irrestrita da nação. Não percebem o quanto ele representativo da classe a que pertencem. Sem meias palavras, Renan é elite. Em condições normais, não hesitaria em participar de um desses eventos organizados por João Dória Jr., o iconoclasta-mor, para a diversão da fina flor do empresariado e até de alguns ministros, com direito a uma conferência de Fernando Henrique Cardoso, o nosso Clinton. Digo mesmo que Renan, enlevado, envergaria o uniforme de Indiana Jones para dançar à beira da piscina em Comandatuba. Vivemos uma quadra de escassa reflexão e baixo quociente de inteligência. A capacidade de raciocínio está em xeque, e neste pântano a questão moral afunda, à tona sobram apenas as bolhas do desastre. Algo é certo, a Máfia é mais competente e menos hipócrita.
enviada por mino
*** extraído do BLOG DO MINO
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
David Holmgren
David Holmgren em entrevista 16/08/2007
A mudança exterior começa internamente
Silvia Pugsley
De passagem pelo Brasil, Holmgren fala sobre sua vida, a evolução de suas idéias, o rumo que a permacultura tomou com o tempo e a situação atual do meio ambiente
Um dos criadores da Permacultura, David Holmgren, esteve no Brasil, onde ministrou curso sobre o tema para permacultores formados. Durante a estadia de uma semana em Florianópolis em maio passado, Holmgren concedeu uma entrevista na casa dos permacultores Jorge Timmermann e Suzana Maringoni. Confira a seguir a entrevista na íntegra:
Silvia - Como é a sua vida na Austrália?
Holmgren - A gente mora numa cidade pequena, com 6 mil pessoas, é como uma vila. Há ainda duas comunidades com as quais estamos envolvidos. A vila que tem poucas pessoas. Algumas são permacultoras e outras não, mas todos temos um jeito similar de viver. Talvez sejamos vistos como mais extremistas e radicais para os australianos que possuem um jeito de viver muito dependente do consumo. Outras pessoas consideram radicais apenas algumas das coisas que fazemos. Eu acredito que a gente balanceia. Meu trabalho é mais ou menos um terço de trabalho com design, ensinar (permacultura) e falar em público, mais um terço de pesquisa e contatos e outro terço trabalhando na terra.
- Para ver na íntegra: http://www.permear.org.br/
A mudança exterior começa internamente
Silvia Pugsley
De passagem pelo Brasil, Holmgren fala sobre sua vida, a evolução de suas idéias, o rumo que a permacultura tomou com o tempo e a situação atual do meio ambiente
Um dos criadores da Permacultura, David Holmgren, esteve no Brasil, onde ministrou curso sobre o tema para permacultores formados. Durante a estadia de uma semana em Florianópolis em maio passado, Holmgren concedeu uma entrevista na casa dos permacultores Jorge Timmermann e Suzana Maringoni. Confira a seguir a entrevista na íntegra:
Silvia - Como é a sua vida na Austrália?
Holmgren - A gente mora numa cidade pequena, com 6 mil pessoas, é como uma vila. Há ainda duas comunidades com as quais estamos envolvidos. A vila que tem poucas pessoas. Algumas são permacultoras e outras não, mas todos temos um jeito similar de viver. Talvez sejamos vistos como mais extremistas e radicais para os australianos que possuem um jeito de viver muito dependente do consumo. Outras pessoas consideram radicais apenas algumas das coisas que fazemos. Eu acredito que a gente balanceia. Meu trabalho é mais ou menos um terço de trabalho com design, ensinar (permacultura) e falar em público, mais um terço de pesquisa e contatos e outro terço trabalhando na terra.
- Para ver na íntegra: http://www.permear.org.br/
PVC - PERIGO!
Perigos do uso do PVC – 31/07/2007
Muitas vezes vamos a locais que tem uma preocupação com o meio ambiente, e em construir soluções permanentes e nos deparamos com canos de PVC… ainda é pouco difundido pela mídia os riscos e reais perigos do uso deste material. Assim, este artigo retirado da página http://www.nossofuturoroubado.com.br/pvccontru.htm, vem auxiliar na difusão desta informações importantes na construção de uma vida permanente no planeta.
IMPACTOS AMBIENTAIS DO POLIVINIL CLORETO (PVC OU V)EM MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E EM ARQUITETURARELATO SUMÁRIO PARA “HEALTHY BUILDING NETWORK”
Rede da Construção Civil SaudávelJOE THORNTON, Ph.D
Para dispor do trabalho integral de 110 páginas contatar “Healthy Building Network” 2425 18thStreet, NW, Washington DC 2009-2039)
Sobre o autor
Joe Thornton, Ph.D., é pós-doutorado, cientista e pesquisador do Instituto da Terra e do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Columbia/USA. Suas pesquisas estão focadas nas implicações políticas e sobre a saúde, em razão da poluição química global e na evolução molecular do sistema endócrino animal. Colou os graus de Ph.D., M.A. e M.Phil. em ciências biológicas na Universidade de Columbia e o B.A. na Universidade de Yale/USA.
É autor do livro “Pandora’s Poison: chlorine health, and a New Environmental Strategy/O veneno de Pandora: cloro, saúde e uma nova estratégia ambiental” (MIT Press, 2000). Depois de uma ação conjunta com a Universidade de Columbia, em 1995, em co-autoria com a American Public Healthy Association/Associação Americana de Saúde Pública, tem lutado pela eliminação do PVC em equipamentos e utensílios médicos devido seu comprometimento pela formação de dioxinas na incineração de resíduos hospitalares. Seus trabalhos vêm sendo publicados em numerosos periódicos científicos, entre eles: Proceedings of the National Academy of Sciences, Annual Review of Genomics and Human Genetics, Public Healthy Reports, Bioessays, Sistematic Biology e International Journal of Occupational and Environmental Health.
SUMÁRIO DOS OBJETIVOS
Nos últimos quarenta anos, a resina plástica -polivinil cloreto- (PVC) transformou-se no material de construção civil mais empregado. A produção global de PVC, também conhecido nos USA como vinyl, atinge atualmente um total de mais de 30 milhões de toneladas/ano. A maioria desta produção está dirigida diretamente para materiais de construção civil, mobiliário e aparelhos eletrônicos. A fabricação, a utilização e a disposição de PVC apresentam perigos substanciais e únicos tanto à saúde humana como ambiental. Através do mundo governos, empreendimentos e organizações científicas têm reconhecido os riscos trazidos pelo PVC. Em praticamente todas as nações européias, determinados empregos de PVC foram totalmente eliminados por razões ambientais. Já certos países têm programas ambiciosos para reduzir completamente qualquer uso. Um grande número de comunidades tem políticas de rejeição ao PVC e dezenas de organizações ligadas ao “green buildings” (eco-engenharia) estão construindo com mínima ou nula presença de PVC. Firmas industriais e comerciais anunciam medidas para reduzir o consumo de PVC e estão usando ou produzindo materiais alternativos numa ampla variedade de setores produtivos, incluindo materiais de construção.
Este texto discute os perigos do ciclo-de-vida do PVC e que estão estimulando este movimento em larga escala de eliminação de todos os produtos que contenham PVC.
- extraído do site: www.permear.org.br
Muitas vezes vamos a locais que tem uma preocupação com o meio ambiente, e em construir soluções permanentes e nos deparamos com canos de PVC… ainda é pouco difundido pela mídia os riscos e reais perigos do uso deste material. Assim, este artigo retirado da página http://www.nossofuturoroubado.com.br/pvccontru.htm, vem auxiliar na difusão desta informações importantes na construção de uma vida permanente no planeta.
IMPACTOS AMBIENTAIS DO POLIVINIL CLORETO (PVC OU V)EM MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E EM ARQUITETURARELATO SUMÁRIO PARA “HEALTHY BUILDING NETWORK”
Rede da Construção Civil SaudávelJOE THORNTON, Ph.D
Para dispor do trabalho integral de 110 páginas contatar “Healthy Building Network” 2425 18thStreet, NW, Washington DC 2009-2039)
Sobre o autor
Joe Thornton, Ph.D., é pós-doutorado, cientista e pesquisador do Instituto da Terra e do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Columbia/USA. Suas pesquisas estão focadas nas implicações políticas e sobre a saúde, em razão da poluição química global e na evolução molecular do sistema endócrino animal. Colou os graus de Ph.D., M.A. e M.Phil. em ciências biológicas na Universidade de Columbia e o B.A. na Universidade de Yale/USA.
É autor do livro “Pandora’s Poison: chlorine health, and a New Environmental Strategy/O veneno de Pandora: cloro, saúde e uma nova estratégia ambiental” (MIT Press, 2000). Depois de uma ação conjunta com a Universidade de Columbia, em 1995, em co-autoria com a American Public Healthy Association/Associação Americana de Saúde Pública, tem lutado pela eliminação do PVC em equipamentos e utensílios médicos devido seu comprometimento pela formação de dioxinas na incineração de resíduos hospitalares. Seus trabalhos vêm sendo publicados em numerosos periódicos científicos, entre eles: Proceedings of the National Academy of Sciences, Annual Review of Genomics and Human Genetics, Public Healthy Reports, Bioessays, Sistematic Biology e International Journal of Occupational and Environmental Health.
SUMÁRIO DOS OBJETIVOS
Nos últimos quarenta anos, a resina plástica -polivinil cloreto- (PVC) transformou-se no material de construção civil mais empregado. A produção global de PVC, também conhecido nos USA como vinyl, atinge atualmente um total de mais de 30 milhões de toneladas/ano. A maioria desta produção está dirigida diretamente para materiais de construção civil, mobiliário e aparelhos eletrônicos. A fabricação, a utilização e a disposição de PVC apresentam perigos substanciais e únicos tanto à saúde humana como ambiental. Através do mundo governos, empreendimentos e organizações científicas têm reconhecido os riscos trazidos pelo PVC. Em praticamente todas as nações européias, determinados empregos de PVC foram totalmente eliminados por razões ambientais. Já certos países têm programas ambiciosos para reduzir completamente qualquer uso. Um grande número de comunidades tem políticas de rejeição ao PVC e dezenas de organizações ligadas ao “green buildings” (eco-engenharia) estão construindo com mínima ou nula presença de PVC. Firmas industriais e comerciais anunciam medidas para reduzir o consumo de PVC e estão usando ou produzindo materiais alternativos numa ampla variedade de setores produtivos, incluindo materiais de construção.
Este texto discute os perigos do ciclo-de-vida do PVC e que estão estimulando este movimento em larga escala de eliminação de todos os produtos que contenham PVC.
- extraído do site: www.permear.org.br
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Um novo ser
A vida prega várias peças na gente... Um dia estamos bem, outro não. Somos ingratos por tudo de bom que nos acontece, ficamos intimidados pelo atropelo da centralidade do trabalho nas nossas vidas! Não temos tempo (vixi!) de olhar o horizonte, sentir o vento nos acariciar a pele, da nossa face, saber de que lado do céu o sol nasce... Nos afastamos da natureza! Vivemos subjulgando-a. Estamos acima dela. Assim, dessa forma, não fazemos parte dela...
A natureza... que nos traz a vida! Que faz brotar a vida dentro da gente! Estou em busca da natureza, seja ela humana ou holística, seja planeta, universo, seja o humano - eu, minha família, meu próximo... Estou perto, vou conseguir! Quero ver a vida nos olhos de todos. Nos olhos do meu amor... nos da minha filha... até nos meus! Viva a vida! Estou feliz! Uma criança vem no horizonte!
A natureza... que nos traz a vida! Que faz brotar a vida dentro da gente! Estou em busca da natureza, seja ela humana ou holística, seja planeta, universo, seja o humano - eu, minha família, meu próximo... Estou perto, vou conseguir! Quero ver a vida nos olhos de todos. Nos olhos do meu amor... nos da minha filha... até nos meus! Viva a vida! Estou feliz! Uma criança vem no horizonte!
domingo, 2 de setembro de 2007
A Picanha da Classe Médica - do informativo Caros Amigos
A picanha da classe média
por Carlos Azevedo
Recentemente, tenho lido com freqüência manifestações indignadas segundo as quais, enquanto a classe média (elite) dá um duro danado para construir o Brasil, trabalha, paga impostos etc., o povo fica só de “chupim”, vivendo do Bolsa Família. A Veja acaba de publicar uma pesquisa que, de acordo com a interpretação da revista, demonstra ser a elite o que há de melhor no país, e que todo o nosso atraso se deve à ignorância do povo.
Fiquei impactado com essas revelações luminosas, mas não perdi a fome (afinal, ninguém é de ferro, nem a elite e muito menos o povo). Fui a um restaurante e pedi uma picanha. Ela veio no ponto, rosadinha e macia. Agradeci à classe média por essa maravilha. Quantos dias de trabalho deve ter custado a essas senhoras e senhores respeitáveis, cidadãos cumpridores de seus deveres, fazer uma picanha como essa? Tem que cuidar da vaca, do bezerrinho dela, dando ração todo dia, curando suas doenças até virar novilho, tudo isso pisando em bosta de boi, sem esquecer aquele cheiro de curral. Depois, matar o boi etc. etc., até extrair a maravilhosa picanha. Enquanto isso, o povo ó!, só no Bolsa Família.
Aí, peguei meu carro para ir para casa. E agradeci de novo à classe média laboriosa pelo petróleo que ela produz generosamente. (Não, não são os petroleiros, você precisa ler mais a Veja.) E pelo seu ingente trabalho de plantar cana, fazer álcool, para misturar na gasolina. Agradeci pelo carro também, porque quem senão ela faz o carro? E assim fui pensando em tudo de bom que a classe média produz, meus sapatos, as roupas, meu chapéu (eu uso chapéu quando faz frio!); em tudo que ela constrói, os prédios, as ruas, as estradas. E tudo o mais: telefone celular, televisão, computador, Internet... Percebo que Adam Smith, Ricardo e Karl Marx enganaram-se redondamente em dizer que o valor vem do trabalho. Ele vem é da classe média!
E acabei pasmo, pensando em como é difícil para a classe média (elite) ter de carregar nas costas esses milhões de operários, técnicos, cientistas, trabalhadores na agricultura, bóias-frias, camponeses sem terra, índios, esses vagabundos! Ainda bem que ela consegue se distrair nos shopping centers, cinemas, na televisão a cabo, no Orkut (que ela fez), matar a saudade da Disney comendo sanduíche do Mcdonalds (que a classe média americana fez). Oh, meu Deus, que peso! Não é de estranhar que esteja tão cansada! Por que o governo não cria também uma Bolsa Classe Média?
Carlos Azevedo é jornalista
por Carlos Azevedo
Recentemente, tenho lido com freqüência manifestações indignadas segundo as quais, enquanto a classe média (elite) dá um duro danado para construir o Brasil, trabalha, paga impostos etc., o povo fica só de “chupim”, vivendo do Bolsa Família. A Veja acaba de publicar uma pesquisa que, de acordo com a interpretação da revista, demonstra ser a elite o que há de melhor no país, e que todo o nosso atraso se deve à ignorância do povo.
Fiquei impactado com essas revelações luminosas, mas não perdi a fome (afinal, ninguém é de ferro, nem a elite e muito menos o povo). Fui a um restaurante e pedi uma picanha. Ela veio no ponto, rosadinha e macia. Agradeci à classe média por essa maravilha. Quantos dias de trabalho deve ter custado a essas senhoras e senhores respeitáveis, cidadãos cumpridores de seus deveres, fazer uma picanha como essa? Tem que cuidar da vaca, do bezerrinho dela, dando ração todo dia, curando suas doenças até virar novilho, tudo isso pisando em bosta de boi, sem esquecer aquele cheiro de curral. Depois, matar o boi etc. etc., até extrair a maravilhosa picanha. Enquanto isso, o povo ó!, só no Bolsa Família.
Aí, peguei meu carro para ir para casa. E agradeci de novo à classe média laboriosa pelo petróleo que ela produz generosamente. (Não, não são os petroleiros, você precisa ler mais a Veja.) E pelo seu ingente trabalho de plantar cana, fazer álcool, para misturar na gasolina. Agradeci pelo carro também, porque quem senão ela faz o carro? E assim fui pensando em tudo de bom que a classe média produz, meus sapatos, as roupas, meu chapéu (eu uso chapéu quando faz frio!); em tudo que ela constrói, os prédios, as ruas, as estradas. E tudo o mais: telefone celular, televisão, computador, Internet... Percebo que Adam Smith, Ricardo e Karl Marx enganaram-se redondamente em dizer que o valor vem do trabalho. Ele vem é da classe média!
E acabei pasmo, pensando em como é difícil para a classe média (elite) ter de carregar nas costas esses milhões de operários, técnicos, cientistas, trabalhadores na agricultura, bóias-frias, camponeses sem terra, índios, esses vagabundos! Ainda bem que ela consegue se distrair nos shopping centers, cinemas, na televisão a cabo, no Orkut (que ela fez), matar a saudade da Disney comendo sanduíche do Mcdonalds (que a classe média americana fez). Oh, meu Deus, que peso! Não é de estranhar que esteja tão cansada! Por que o governo não cria também uma Bolsa Classe Média?
Carlos Azevedo é jornalista
Domingo Pífio - do correio Caros Amigos
Domingo pífio
por João de Barros
Domingo de manhã. Faz frio em São Paulo. Minha mulher, arquiteta, pergunta-me se não quero acompanhá-la a uma obra (uma reforma de um escritório de advogados) que está sob sua responsabilidade, na avenida 23 de Maio, em São Paulo. Vou, pilotando o carro por toda a avenida Brasil até chegar ao parque do Ibirapuera, bem em frente à Assembléia Legislativa. De repente, uma movimentação de pessoas nos chama atenção. A maioria está impecavelmente vestida, de roupas jeans, sobretudos e blusas negras, alguns ostentam relógios e algumas jóias. Contorno, devagar, o movimento do “empurra”. Vejo carros estacionando por todo canto. As pessoas – todas bem arrumadinhas –, fico sabendo, se dirigem a uma passeata. Passeata? Mas só tem grã-fino, (diz até que havia um empresário escoltado por dois seguranças) e muita gente que se comunica a todo instante via celular. Estranho.
Dia seguinte, leio que aquela havia sido a primeira manifestação de “familiares e amigos” das vítimas do vôo da TAM, que se acidentara a semana anterior, matando 199 pessoas. Mais do que isso: fico sabendo que, em nome da memória dos mortos, boa parte da curriola que andou até o prédio que marcou o fim da tragédia estava vinculada a entidades como Endireita Brasil, organização que, segundo o próprio site, traz entre seus ideais e princípios “a primazia das liberdades individuais sobre o interesse coletivo, a livre iniciativa, o livre mercado”, e por aí vai. Até um avião da TAM, que se preparava para pousar em Congonhas, foi saudado com vaias dos manifestantes.
Na semana seguinte, mais surpreso ainda, vi que inúmeros pândegos se aglutinavam num movimento cívico denominado Cansei, que, capitaneado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, revelava nomes como o de João Dória Júnior – entrevistador da Rede TV! que patrocinou um concurso do cachorro mais bonito de Campos de Jordão e foi um valoroso arrecadador de fundos de Alckmin para a presidência da República –, Alencar Burti, da Associação Comercial (que faz do impostômetro um ícone anti-Lula), do presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottollo, e do obscuro Jesus Sangalo, um robusto senhor que traz em seu bojo o título de irmão de Ivete Sangalo. A palavra de ordem do movimento fazia do combate à corrupção a mola mestra de uma campanha que já se assanhava num “Fora Lula”.
Dia 17, o Cansei programou um minuto de silêncio na Catedral da Sé e – segundo o presidente da OAB-SP, Luiz D”Urso – pôr fim à campanha. “Não faremos passeatas nem discursos contra o governo”, diz. Se acabar assim, melhor. Duro mesmo vai ser testemunhar no altar da catedral as figuras carimbadas da elite do “Fora Lula”: Ivete Sangalo, Juca de Oliveira, Leonardo, Hebe Camargo, Ana Maria Braga e a ex-namoradinha do Brasil, Regina Duarte, a mesma que declarou na eleição de 2002 estar “morrendo de medo do governo de Lula”. Lá só faltarão Agnaldo Rayol, Ronnie Von, Moacir Franco e Adriane Galisteu. Aposto um doce como pelo menos um desses estará lá. Ou não me chamo João.
João de Barros é jornalista
por João de Barros
Domingo de manhã. Faz frio em São Paulo. Minha mulher, arquiteta, pergunta-me se não quero acompanhá-la a uma obra (uma reforma de um escritório de advogados) que está sob sua responsabilidade, na avenida 23 de Maio, em São Paulo. Vou, pilotando o carro por toda a avenida Brasil até chegar ao parque do Ibirapuera, bem em frente à Assembléia Legislativa. De repente, uma movimentação de pessoas nos chama atenção. A maioria está impecavelmente vestida, de roupas jeans, sobretudos e blusas negras, alguns ostentam relógios e algumas jóias. Contorno, devagar, o movimento do “empurra”. Vejo carros estacionando por todo canto. As pessoas – todas bem arrumadinhas –, fico sabendo, se dirigem a uma passeata. Passeata? Mas só tem grã-fino, (diz até que havia um empresário escoltado por dois seguranças) e muita gente que se comunica a todo instante via celular. Estranho.
Dia seguinte, leio que aquela havia sido a primeira manifestação de “familiares e amigos” das vítimas do vôo da TAM, que se acidentara a semana anterior, matando 199 pessoas. Mais do que isso: fico sabendo que, em nome da memória dos mortos, boa parte da curriola que andou até o prédio que marcou o fim da tragédia estava vinculada a entidades como Endireita Brasil, organização que, segundo o próprio site, traz entre seus ideais e princípios “a primazia das liberdades individuais sobre o interesse coletivo, a livre iniciativa, o livre mercado”, e por aí vai. Até um avião da TAM, que se preparava para pousar em Congonhas, foi saudado com vaias dos manifestantes.
Na semana seguinte, mais surpreso ainda, vi que inúmeros pândegos se aglutinavam num movimento cívico denominado Cansei, que, capitaneado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, revelava nomes como o de João Dória Júnior – entrevistador da Rede TV! que patrocinou um concurso do cachorro mais bonito de Campos de Jordão e foi um valoroso arrecadador de fundos de Alckmin para a presidência da República –, Alencar Burti, da Associação Comercial (que faz do impostômetro um ícone anti-Lula), do presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottollo, e do obscuro Jesus Sangalo, um robusto senhor que traz em seu bojo o título de irmão de Ivete Sangalo. A palavra de ordem do movimento fazia do combate à corrupção a mola mestra de uma campanha que já se assanhava num “Fora Lula”.
Dia 17, o Cansei programou um minuto de silêncio na Catedral da Sé e – segundo o presidente da OAB-SP, Luiz D”Urso – pôr fim à campanha. “Não faremos passeatas nem discursos contra o governo”, diz. Se acabar assim, melhor. Duro mesmo vai ser testemunhar no altar da catedral as figuras carimbadas da elite do “Fora Lula”: Ivete Sangalo, Juca de Oliveira, Leonardo, Hebe Camargo, Ana Maria Braga e a ex-namoradinha do Brasil, Regina Duarte, a mesma que declarou na eleição de 2002 estar “morrendo de medo do governo de Lula”. Lá só faltarão Agnaldo Rayol, Ronnie Von, Moacir Franco e Adriane Galisteu. Aposto um doce como pelo menos um desses estará lá. Ou não me chamo João.
João de Barros é jornalista
As amendoeiras de Drummond
Um dia o Drummond escreveu, numa dos suas crônicas no JB - os mais moços não sabem, mas o JB já foi um jornal respeitado, de circulação nacional, lido, diariamente, por muita gente - que as amendoeiras, por não serem nativas, não lidavam bem com as estações. De alguma forma, a memória atávica da planta havia sido perturbada com a mudança de ambiente e elas simplesmente se comportavam em desalinho com a natureza.
Eu trabalhava, na ocasião, em frente ao Passeio Público, no Rio de Janeiro. Ali havia - não sei se ainda há - muitas amendoeiras. Era fascinante perceber que não existia qualquer compromisso coletivo de parte delas. Umas bem floresciam, outras desfolhavam, umas iam no ápice do verão e outras curtiam o desfolhado do inverno. Na boa, como se fosse assim mesmo, como se não houvesse uma ordem natural.
Nunca deparei melhor explicação que a do poeta. Elas eram, aquelas árvores,
seres de outro lugar, completamente inadaptados à natureza local. Só isso.
Suas almas eram sintonizadas com outras paragens, com outro ciclo, e elas
eram incapazes de perceber o que ia ao redor. Não eram plantas más, rebeldes ou malcriadas. Apenas alienígenas. Fôssemos, então, compreensíveis e tolerantes com o transtorno - se é que o era - que produziam.
Isso tudo resultado de eu me ter posto a pensar sobre porque os Clovis Rossi da vida andam a se comportar da forma que temos assitido. E me parece, refletindo um pouco melhor, que o Clovis Rossi, a Eliane Catanhede, a Míriam Leitão, o Renato Machado, o Jabor, o Augusto Nunes - não, o Augusto Nunes não! -, esses todos, são uma gente cuja alma é alienígena. Cada um deles, como as amendoeiras, tem registros atávicos que os torna incompatíveis com a natureza local. Como as amendoeiras, eles não entendem o que se passa no seu entorno. E como as amendoeiras, não são bons ou ruins, apenas são alienígenas. São, todos, aparentados - talvez por isso tenham, invariavelmente, profissões correlatas - entre si, descendem de uma grande família de gente que aportou por cá sem querer. Tudo bem branquinho. Tudo europeu, americano-do-norte, marciano, sei lá eu de onde, mas de bem longe. De outro hemisfério. De um lugar cuja natureza não se afina com a daqui. Aí, dá esse furdunço mental nos pobres. É só isso. É o povo amendoeira. Incapaz de perceber o que está acontecendo.
É curioso reparar que alguns nem parecem tão alienígenas, assim. A Miríam Leitão, por exemplo, até se percebe meio miscigenada. Como diria O Príncipe, com um pé na cozinha. Mas a alma é tão branquinha! É vê-la falar e somem as dúvidas: ali está uma legítima, perfeita, completa amendoeira.
O Drummond clamava por tolerância com a incapacidade das amendoeiras. Talvez fizesse o mesmo em relação ao povo amendoeira. Sei não. Ainda que eu seja uma criatura doce e meiga, que eu considere muito a opinião do Drummond, que
eu seja capaz de entender que os amendoeira não são do mal - não, ao menos,
em essência -, sei não. Acho que não vai dar pé. É que o preço pode ser
muito alto. Vai que desanda o projeto dos muitos e que os poucos - e insuportáveis - voltem ao controle geral. Vai que dá tudo pra trás. Sei que eles não fazem por mal, que não tem intenção de sacanear, mas não dá. É muito risco. Aí: não vai dar pé, não! Então, é isso: pau nos amendoeira!Recusei, aí acima, o Augusto Nunes nos amendoeira. É que esse não é alienígena, não. É, apenas, idiota, Tem a alma degradada pela idiotia e pela subserviência.
Um abraço, Lima.
Eu trabalhava, na ocasião, em frente ao Passeio Público, no Rio de Janeiro. Ali havia - não sei se ainda há - muitas amendoeiras. Era fascinante perceber que não existia qualquer compromisso coletivo de parte delas. Umas bem floresciam, outras desfolhavam, umas iam no ápice do verão e outras curtiam o desfolhado do inverno. Na boa, como se fosse assim mesmo, como se não houvesse uma ordem natural.
Nunca deparei melhor explicação que a do poeta. Elas eram, aquelas árvores,
seres de outro lugar, completamente inadaptados à natureza local. Só isso.
Suas almas eram sintonizadas com outras paragens, com outro ciclo, e elas
eram incapazes de perceber o que ia ao redor. Não eram plantas más, rebeldes ou malcriadas. Apenas alienígenas. Fôssemos, então, compreensíveis e tolerantes com o transtorno - se é que o era - que produziam.
Isso tudo resultado de eu me ter posto a pensar sobre porque os Clovis Rossi da vida andam a se comportar da forma que temos assitido. E me parece, refletindo um pouco melhor, que o Clovis Rossi, a Eliane Catanhede, a Míriam Leitão, o Renato Machado, o Jabor, o Augusto Nunes - não, o Augusto Nunes não! -, esses todos, são uma gente cuja alma é alienígena. Cada um deles, como as amendoeiras, tem registros atávicos que os torna incompatíveis com a natureza local. Como as amendoeiras, eles não entendem o que se passa no seu entorno. E como as amendoeiras, não são bons ou ruins, apenas são alienígenas. São, todos, aparentados - talvez por isso tenham, invariavelmente, profissões correlatas - entre si, descendem de uma grande família de gente que aportou por cá sem querer. Tudo bem branquinho. Tudo europeu, americano-do-norte, marciano, sei lá eu de onde, mas de bem longe. De outro hemisfério. De um lugar cuja natureza não se afina com a daqui. Aí, dá esse furdunço mental nos pobres. É só isso. É o povo amendoeira. Incapaz de perceber o que está acontecendo.
É curioso reparar que alguns nem parecem tão alienígenas, assim. A Miríam Leitão, por exemplo, até se percebe meio miscigenada. Como diria O Príncipe, com um pé na cozinha. Mas a alma é tão branquinha! É vê-la falar e somem as dúvidas: ali está uma legítima, perfeita, completa amendoeira.
O Drummond clamava por tolerância com a incapacidade das amendoeiras. Talvez fizesse o mesmo em relação ao povo amendoeira. Sei não. Ainda que eu seja uma criatura doce e meiga, que eu considere muito a opinião do Drummond, que
eu seja capaz de entender que os amendoeira não são do mal - não, ao menos,
em essência -, sei não. Acho que não vai dar pé. É que o preço pode ser
muito alto. Vai que desanda o projeto dos muitos e que os poucos - e insuportáveis - voltem ao controle geral. Vai que dá tudo pra trás. Sei que eles não fazem por mal, que não tem intenção de sacanear, mas não dá. É muito risco. Aí: não vai dar pé, não! Então, é isso: pau nos amendoeira!Recusei, aí acima, o Augusto Nunes nos amendoeira. É que esse não é alienígena, não. É, apenas, idiota, Tem a alma degradada pela idiotia e pela subserviência.
Um abraço, Lima.
Assinar:
Postagens (Atom)